| Theo Marques/Divulgação |
 A banda OAEOZ está lançando o álbum Às Vezes Céu |
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Os curitibanos do OAEOZ chegam ao terceiro CD independente, Às Vezes Céu, o primeiro inteiramente gravado em estúdio. Formado em 1997 em Curitiba, a banda já lançou duas demos (OAEOZ 1998 - De Inverno 1999) e dois CDs independentes (Dias 2001 - Take Um 2002).
Ouça duas músicas do disco novo da banda OAEOZ 
"É um disco de transição entre a primeira fase da banda e a atual. Posto isso, é com certeza nosso disco mais bem produzido, e paradoxalmente, o mais fiel ao que a gente é ao vivo", diz Ivan Santos, vocalista e principal compositor da banda, em entrevista ao Terra.
O álbum também marca a estréia da nova formação da banda, que conta com dois novos guitarristas. André Ramiro e Carlos Zubeck se juntam a Hamilton de Lócco (bateria), Rodrigo Montanari (baixo) e Ivan, que agora assume o posto de vocalista deixado por Igor Ribeiro. "A música do OAEOZ sempre foi um jogo de dualidades, desde o começo. Às Vezes Céu mantém isso, só que de uma forma mais concisa e enxuta, mais focada", avalia o vocalista, que acredita que o som da banda mudou muito com a saída de Igor.
A mudança, felizmente, veio para o bem. A nova formação deu foco ao som do grupo, que soava disperso nos primeiros trabalhos, além de destacar excelentes letras. Às Vezes Céu abre com as guitarradas da excelente Lembranças (Não Valem Nada), uma ode ao tempo presente em formato hard rock. "Até brinco - que o riff - seria baseado no Beavis e Butt Head, naquela coisa de quando eles curtem um som e saem fazendo uma dança esquisita imitando a guitarra com a boca - tanananan tanananan", conta Ivan. "A letra é uma declaração de amor ao presente e a se viver o aqui e o agora, com todas as implicações que isso traz", completa. No meio da porrada, um improviso de jazz. E a paulada volta com base nas guitarras.
Vôo Baixo, a seguinte, tem introdução com violão e slide guitar, até cair em um rock de primeira. Dias Tortos é uma balada, e traz vários dos elementos que marcam o som da banda, como o vocal dramatizado, a combinação do acústico dos violões com o elétrico das guitarras, e um teclado conduzindo a boa letra: "A vida é fácil, eu é que sou complicado", canta Ivan. 3h30 começa com arranjo de trumpete, tocado por Igor, e a letra é uma adaptação de um texto de Sam Shepard enquanto Ausência tem uma longa introdução, remetendo aos primeiros trabalhos da banda.
A baladaça Dizem é outro dos grandes momentos do álbum. "Ela começa e termina com um breve arranjo para violoncelo e violino, feito pelo Rodrigo Lemos (Poléxia) a partir de arranjo original nosso", conta Ivan. "No final, tem um dueto vocal com a cantora suíça radicada em Curitiba, Edith de Camargo (Wandula), o que dá ainda mais dramaticidade à canção", explica. A letra, inspirada em um texto de Rubens K (Iris, Terminal Guadalupe), é dramática e lírica, ao mesmo tempo: "Alguns dizem que tenho talento pra melancolia / Qualquer tipo de fobia / Que tenho pena de mim / Dizem também que mantenho uma certa distância / que dura mais ou menos dois copos / E que depois me solto". O refrão, com auxilio de Edith na parte final, coloca o ouvinte na parede. "Eu não tenho muita certeza / Mas continuo tentando passar cada dia mais rápido / E pedindo desculpas por todo o mal causado".
A faixa título e Meia Volta são canções que exemplificam a dualidade que marca o som do OAEOZ. Ambas começam folk ao som de violões e terminam com ótimos solos de guitarra. Entre elas, Luz e Sombra, uma instrumental que demonstra a dualidade já no título. Horizontes, de Igor Ribeiro, deixa de lado o arranjo calmo da versão original (registrada no primeiro álbum do Íris) para ganhar mais peso e barulho. E em arranjo de violão, guitarra e gaita, Ajuda/Depois do Azul fecham um grande disco de rock para 2005.
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