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 Wado e Realismo Fantástico estão lançando A Farsa do Samba Nublado |
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Wado estreou na cena musical brasileira com um disco que chamava a atenção já no título: Manisfesto da Arte Periférica. De cara, Wado procurava cutucar o público, tentando mostrar que se fazia música boa fora do eixo RJ/SP.
Mais de três anos se passaram, Wado lançou um segundo disco bastante elogiado, tocou na primeira edição do Tim Festival, no Rio de Janeiro, em 2003, colocou uma música (Tarja Preta) na trilha sonora do filme Contra Todos e seguiu na difícil estrada dos jovens músicos no Brasil, fazendo música, tocando, trabalhando, tocando e fazendo música. E trabalhando, mas não deixando de tocar. "Ainda temos o sonho de viver de música", diz Wado, apresentando seu terceiro álbum. "É um disco estranho, que contém sambas estranhos e músicas de letras fortes e sonoridade de estúdio profissional".
A Farsa do Samba Nublado (Outros Discos) traz algumas mudanças, tanto em sonoridade quanto nas letras e em conceito. Primeiro de tudo: a banda agora assina Wado e Realismo Fantástico. "Acreditamos que assim seja mais justo". As letras: "Estão mais longas, o que é uma diferença de abordagem que eu queria tentar, passar longe da concisão que são as letras dos outros discos, tentar algo novo". O som: "Os arranjos estão mais bem resolvidos", garante.
Na prática, estender o nome da banda significa que o grupo está unido e, que tudo o que vier, de alegrias a tristezas, será dividido por quatro. As letras podem até estar mais longas, mas é possível ouvir o disco uma vez e sair cantarolando as canções em seguida, e isso é mérito. Quanto ao som, esse é o disco mais direto da banda. E o mais triste. Rock e samba se influenciam, se abraçam e saem de mãos dadas pelo salão. Alvinho dispensa a guitarra e aposta no som do violão, claro, atulhado de efeitos e de wah wah. O resultado é um som dançante, pop, inteligente e com um q de melancolia e de nuvens negras.
Na música pop, a maioria dos grandes discos da história teve a desesperança (seja passional, seja política) como inspiração. A Farsa do Samba Nublado pertence a essa classe de discos inteligentes, geniais e rebeldes. É um disco excelente, mas lindamente triste. As músicas grudam no peito, esperando até que você entenda o motivo e agradeça pela tradução do inconsciente. Segundo Wado, A Farsa do Samba Nublado "é uma ode ao que não é necessário. Uma ode a sofisticação de inutilidades". Um disco perfeito para os dias nublados que estamos vivendo.
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