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 Helião e Negra Li, que, egressos do grupo RZO, estréiam por uma grande gravadora |
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Tem novidade boa no hip hop nacional, cada vez mais forte no mainstream - seja para o bem (popularidade, variedade, melhor infra-estrutura, novas portas abertas, etc.), seja para o mal (oportunismo do mercado, diluição). C`est la vie. Vindos do grupo RZO, Helião, 35, e Negra Li, 24, estréiam por uma grande gravadora, a Universal Music, com o CD Guerreiro, Guerreira.
Confira o videoclipe de Guerreiro, Guerreira 
Inicialmente, a major convidou Negra Li (nascida Liliane de Carvalho). Paulistana de Brasilândia, bairro da periferia, Li conquistou projeção pop ao participar da canção e do clipe de Não é Sério (2000), um dos maiores hits do Charlie Brown. Figura querida por Li e Helião, Chorão convidou também a cantora e o RZO para o CD/DVD Acústico MTV Charlie Brown Jr. (2003).
"Já havia certa dispersão no RZO e eu e Helião, que pensamos parecido várias coisas, nos juntamos para compor. Quando a Universal propôs que eu gravasse um CD, conversei com Helião, ele topou e, então, dei a idéia à gravadora de fazer o disco em dupla", explica por telefone Negra Li, que recusou propostas anteriores de gravar solo. "Eu não me sentia preparada".
Filha de evangélicos, Li gosta de hip hop, claro, mas sobretudo, é uma cantora. Não cultiva os clichês radicais do meio, mas tem atitude. "Sempre gostei de black music, de Elis Regina, de boa MPB. Fiz quatro anos de coral na USP, convivi com vários tipos de pessoas, abri minha cabeça". O gosto pela música negra dos EUA fica evidente no seu vocal melódico e suingado.
Nascido em Ubaitaba, Bahia, e radicado desde a infância em Pirituba, zona oeste de São Paulo, Helião (Hélio Barbosa dos Santos) é um dos pioneiros do rap paulista. Fundou o RZO no final dos 80, foi mano de Sabotage (assassinado em 2003) e adora Zeca Pagodinho, Jorge Ben ("A suingueira dele me influenciou bastante"), Nando Reis, rap americano e Marcelo D2.
O rapper revela uma curiosidade familiar sobre a sua ida para São Paulo. "Cara, eu fui o terceiro filho, mas meu pai achou que nasci meio branco, que não era filho dele e mamãe, indignada, largou tudo e veio comigo para cá. Aqui, ela trabalhou como doméstica. Nunca mais vi meus irmãos, meu pai. Ironicamente, minhas tias dizem que eu sou quem mais pareço com o velho".
Puxado pela faixa-título, tema da personagem de Thalma de Freitas na novela Começar de Novo (Globo), e produzido por David Corsos e Daniel Ganjaman, o bom CD Guerreiro, Guerreira traduz bem a formação e o gosto diversificado de Helião e Negra Li: das 11 músicas (com letras sem palavrões) escoam elementos de rap, soul, ragga (a ótima Exército do Rap) e jazz.
E para provar que Helião e Negra têm moral, o disco da dupla conta com a participação dos dois maiores nomes do rap brazuca: o cismado paulista Mano Brown (Racionais MC`s) em Periferia e o carioca sangue bom Marcelo D2 em O Rap não tem pra Ninguém. "Mano Brown é amigo de longa data e Marcelo D2 está expandindo os limites do hip hop no país", afirma Helião.
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