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Música
Terça, 30 de novembro de 2004, 19h40 
Eminem chega ao quarto CD mais ofensivo que nunca
 
Reuters
O rapper Eminem: novas vítimas, mas ofensas não chocam mais
O rapper Eminem: novas vítimas, mas ofensas não chocam mais
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    Nada mal para um "garoto branco de Detroit". Comparado logo no início de sua carreira a Elvis Presley - que foi acusado de ter usurpado o blues e a cultura musical da comunidade negra por dinheiro -, o rapper Eminem chega ao quarto disco polêmico como nunca, odiado e igualmente amado como sempre. Nas 20 faixas de Encore, que chega ao Brasil nesta semana, o que não faltam são xingamentos.

    Leia entrevista com Eminem
    Ouça músicas de Eminem

    Poucos artistas têm uma lista tão grande de vítimas. Cada desafeto de Marshal Matters (nome real do astro) ganha pelo menos um verso de escárnio em suas rimas. Ainda sob a égide de outro casca-grossa, Dr. Dre, ele dispara sua metralhadora de insultos e xingamentos sobre bases pesadas e bem feitas por Dre e toda a turma do coletivo D12.

    Neste novo álbum, as flechadas suas verbais são certeiras e o primeiro alvo é Michael Jackson. Na música Just Lose It, primeira faixa de trabalho do álbum, o rapper não é nada sutil ao declarar que o Rei do Pop "gosta de tocar as crianças". Depois ameniza o tom, e diz que sempre adorou Jacko "seja ele negro ou branco". Ainda na mesma música sobra também para Madonna.

    As loiras, aliás, têm destaque nas letras de Eminem, mas quase nunca com adjetivos elogiosos. Christina Aguilera e Britney Spears já figuraram nas rimas do rapper. No vídeo de The Real Slim Shady, ele se fantasia de Britney para tirar um sarro da loirinha, que então era a virgem mais querida da América.

    Quem também participa do clipe é Fred Durst, vocalista do Limp Bizkit e ex-amigo do rapper. Ex porque na faixa Without Me, do disco The Eminem Show, o rapper detona o músico. A briga toda se deu depois que o Limp Bizkit deu o cano em Eminem na gravação de um clipe que criticava o grupo Everlast.

    Na mesma canção, o pacato Moby é sumariamente dilacerado. Em menos de cinco segundos o DJ é xingado de velho, careca, homossexual e, para arrematar, Eminem afirma que ninguém ouve techno. Ainda nos discos The Eminem Show e Encore, sua mãe Kim Matters é constantemente citada e sempre escorraçada.

    Políticos e suas mulheres têm vaga garantida em suas letras. É assim em Mosh, do novo álbum. Na música ele manda o presidente George W. Bush se ferrar, mas com termos mais chulos. Para escapar da perseguição ou de processos ele separou no encarte o grito "fuck Bush" com uma vírgula.

    Lynn, mulher do vice-presidente Dick Cheney, e Tipper Gore, mulher do ex-vice-presidente Al Gore, também já foram honradas com uma homenagem do rapper em White America. Tipper é presidente de uma comissão norte-americana ultraconservadora que foi a responsável pela obrigatoriedade do selo que indica a presença de conteúdo ofensivo em CDs. Obviamente, o selo encontra-se em todos os discos lançados por Eminem.

    Mas uma de suas principais vítimas ainda é ele mesmo. A facilidade que o rapper encontra para detonar a si mesmo é um dos únicos indicativos de que ele, de fato, não é uma fonte inesgotável de arrogância e cabotinismo. Em My First Single, por exemplo, satiriza seu próprio sucesso como ator no filme 8 Mile. Até sua música, que ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2003, é implacavelmente criticada.

    O que esperar de um artista que literalmente xinga até a própria mãe? Talvez o único ponto negativo de Encore seja o fato de que Eminem não consegue mais chocar. Depois de tantas ofensas fica difícil acreditar que no futuro ele ache um alvo realmente intocável. Enquanto isso ele continua vendendo feito água. Mas nada mal para um "garoto branco de Detroit".
     

    Redação Terra
     
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