| Juliana Alencar/Terra |
 Carl Barat durante apresentação em megastore em SP |
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Muita maquiagem, cabelos desgrenhados, all stars e calças jeans justas e curtas. No pocket show do Libertines, realizado nesta terça-feira na Fnac Pinheiros, em São Paulo, a afetação rocker chamava mais atenção do que as manifestações adolescentes de idolatria.
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Aliás, gritinhos histéricos era o que menos se ouvia. Ser blasé, como o baixista John Hassall da incensada banda inglesa que faz passagem pelo País, está na moda. Não por acaso, Hassal era o preferido das meninas que trocaram Felipe Dylon pelo hype estrangeiro.
"Ele é lindo, né?", comenta uma menina, de mais ou menos 15 anos, que se acomodava (mal) no espaço apertado do auditório da megastore. Eram pelo menos 400 pessoas para capacidade anunciada de 200. No tumulto, um dos seguranças alarmava que ali, naquele auditório em que os sossegados escoceses do Belle & Sebastian haviam feito uma apresentação memorável em 2001, no finado Free Jazz Festival, caberiam até 600 pessoas.
"Eu já vi", disse. Parecia pouco provável. Até um telão foi montado no lado de fora do prédio para aqueles que não conseguiriam entrar. Segundo a segurança da Fnac, 350 pessoas ficaram de fora.
Como era impossível imaginar que esta apresentação da banda do vocalista Carl Barat fosse mais empolgante que os shows no Tim Festival em São Paulo (07) e no Rio de Janeiro (08). Saiu no lucro quem preferiu economizar R$ 60 do ingresso para o show do Jockey Club de São Paulo. Quem enfrentou a fila de mais de cinco horas sob sol de 28ºC em frente à megastore para assisti-los novamente foi recompensado com um desfile sujo de hits (?) como Can't Stand Me Now, Time For Heroes e Up The Bracket. Assim, de perto, eles pareceram bem mais interessantes. Até a garotada que insistia em manter a compostura desceu do salto quando o quarteto estava para entrar no palco. Sobrou para os jornalistas, que viram o cercadinho reservado para imprensa sumir em poucos minutos.
Bem antes do show, Gary Powell, o baterista boa-praça, ainda conversou com os adolescentes que aguardavam por um autógrafo na entrada do auditório. "Sending lots of love", ele escrevia no encarte do segundo e mais recente álbum da banda. Depois, seria a vez de Anthony Rossamondo, o guitarrista que substitui o genioso Pete Doherty, se armar de caneta e sair por aí assinando seu nome em capas de cds. No meio do jardim da infância indie, o pequeno Francesco, 4 anos, vestido com uma camiseta do Libertines, esperava a apresentação no colo da mãe, Lídia. Influência familiar? "Tem músicas que eu ouço e ele não gosta mesmo. Libertines ele ouve mesmo, gosta. Sabe até cantar um pouquinho", diz. A novíssima geração do rock. A pose, pelo menos, já está garantida.
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