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Música
Sábado, 5 de dezembro de 2009, 15h39  Atualizada às 15h23
Indicações ao Grammy viram populistas este ano
 
Ben Sisario
 
Reuters
Beyoncé liderou indicações ao Grammy
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    Com as vendas de música em queda há uma década e a infraestrutura promocional de lojas e magazines do setor desaparecendo, a Recording Academy e seus 12 mil membros profissionais da música se ativeram em grande parte aos rostos mais familiares e de maior venda nos indicados para a 52ª edição do Grammy.

    » Veja fotos do show após o anúncio das indicações
    » Confira lista dos principais indicados ao 52º Grammy

    Em transmissão ao vivo pela CBS na noite de quarta-feira (2), Beyoncé liderou a lista com 10 indicações, seguida por Taylor Swift com oito e Black Eyed Peas, Kanye West e Maxwell cada um com seis. As três categorias de maior prestígio - álbum, gravação (de uma canção) e música do ano (para compositores) - foram dominadas por um punhado de indicados repetidos e coloca em confronto três das mais populares ¿ e criticamente aclamadas ¿ jovens mulheres da música pop atualmente. Beyoncé versus Swift versus Lady Gaga, que tem cinco indicações.

    A Dave Matthews Band ganhou sua primeira indicação para álbum do ano, com Big Whiskey and the GrooGrux King (RCA), concorrendo com Beyoncé, Swift, Lady Gaga e Black Eyed Peas. Na noite de quarta (2), o Twitter reclamou do conservadorismo nas principais categorias; "#fail", o tweet equivalente a uma rude desaprovação, apareceu dezenas de vezes. Mas para muitos na indústria da música, a lista foi considerada um reflexo justo dos gostos populares, num espetáculo de prêmios que é por vezes conhecido por escolhas fora da tendência.

    "Ao longo dos últimos anos, eles melhoraram na escolha das músicas certas e dos álbuns certos nas categorias certas", disse Bill Werde, diretor editorial da Billboard. "Há cinco ou 10 anos, não se presumia sempre que esse seria o caso."

    A cerimônia de indicação foi transmitida ao vivo na TV pela segunda vez, e esteve longe de ser um estouro. A CBS anunciou na quinta-feira que o programa de uma hora teve uma audiência de 6,48 milhões de espectadores. (Rudolph the Red-Nosed Reindeer, o clássico animado de Natal de 1964, teve 10,74 milhões no horário anterior.) Os prêmios serão entregues em 31 de janeiro.

    A baixa audiência aponta para o desafio de longa data do Grammy de atrair jovens fãs, que tendem a considerar a premiação fora de sintonia com os novos talentos. "Duvido que algum garoto vá sair de casa para comprar Lady Gaga só porque ela foi indicada a um Grammy", disse Isac Walter, editor do MySpace Music.

    A afinidade dos eleitores do Grammy com os artistas mais velhos e consolidados não ajuda na sua credibilidade perante a geração MySpace: este ano, a idade média dos indicados para melhor performance vocal de rock solo é 61 (Bob Dylan tem 68 e Prince 51).

    Com 109 categorias, as indicações ao Grammy são o paraíso para centenas de artistas. Mas sempre existem alguns nomes de destaque que ficam de fora. Um dos nomes ausentes mais evidentes neste ano é Whitney Houston, cujo álbum de retorno I Look to You (Arista), foi lançado no último dia de elegibilidade ao Grammy, 31 de agosto.

    "Considerando o nível de aclamação dos críticos que o álbum recebeu e as vendas até então, um milhão nos EUA e dois milhões no mundo, ficamos surpresos", disse Mika El-Baz, porta-voz da gravadora.

    Uma das esnobadas menos surpreendentes, entretanto, foi quanto a West. Embora ele tenha seis indicações, nenhuma foi para as categorias principais, sendo que ele foi indicado três vezes em uma categoria (rap/colaboração musical).

    Sua ausência entre os grandes é amplamente encarada como uma resposta à sua explosão no MTV Video Music Awards em setembro, quando ele interrompeu um discurso de vitória de Swift. O tempo trabalhou contra West. A premiação da MTV aconteceu em 13 de setembro, só cinco dias antes da Recording Academy começar a circular os formulários de indicação a seus membros. Mesmo entre detratores, porém, houve um modesto respeito em relação às indicações deste ano, se não ao espetáculo de apresentação. Scott Lapatine, fundador e editor do blog de indie-rock Stereogum, escreveu que a cerimônia teve partes iguais de gargalhadas e cochilos. Essas gargalhadas incluíram uma indicação a Sara Smile, do Hall & Oates, por melhor performance pop de grupo ou duo. Originalmente de 1976, a canção se qualificou com a versão ao vivo lançada no ano passado.

    "A Taste of Honey ter tirado Elvis Costello é difícil de entender", disse Lapatine, se referindo à banda de pop-funk (Boogie Oogie Oogie) que venceu Costello em melhor artista revelação em 1979. "Mas acho que a última década teve certa legitimidade, apesar de escolhas populistas embaraçadoras."

    "MGMT certamente merece ganhar este ano", continuou, se referindo ao grupo de Brooklyn de synthpop, "mas provavelmente vão perder. É hilário que eles também estejam competindo por um prêmio de canção com uma versão ao vivo de Sara Smile, do Hall & Oates."
     

    The New York Times
     
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