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 O disco traz piadas e seis músicas cantadas por Miele |
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Com mais de 50 anos de carreira, Luís Carlos Miele lança seu segundo CD pela gravadora CID, Rir com Miele: Um Show de Humor e Música, no qual une duas paixões: a bossa nova e a arte de contar piadas, muitas delas que tem como personagens ídolos da música com quem trabalhou.
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O disco mescla seis canções - que mostram Miele como um belo intérprete - com blocos de piadas - algumas já conhecidas, mas que ainda assim arrancam boas risadas. O CD foi gravado em maio e junho deste ano no Rio de Janeiro.
Miele conversou com o Terra e falou sobre os ídolos da música que viraram piadas de seu show, o crescimento do stand up comedy e falou sobre os próximos shows. Confira a entrevista:
O senhor já havia lançado um disco só de piadas. Agora o humor está misturado à música. Por que esta mudança?
Este disco é o meu segundo de piadas. O primeiro era o 500 Anos de Piadas de Português no Brasil. Quando lancei, vieram humoristas portugueses aqui para o Rio de Janeiro e um deles, Antonio Antunes, uma espécie de Chico Caruso deles, me chamou para fazer este show lá em Portugal. Eu fiquei meio assim, mas ele disse que só ia ter jornalista e humorista na platéia. Então devo ter sido o primeiro brasileiro a fazer um show de piadas de português em Portugal.
Este primeiro CD vendeu razoavelmente e a gravadora queria fazer outro. Mas não dava para ser só de piadas de português porque eu já tinha esgotado todas (risos). Então para este colocamos algumas músicas, para vender em lugares onde o de piadas não vendia.
Como foi a escolha do repertório que está no disco?
Tem Garota de Ipanema, que canto em português e inglês, uma versão de Festa de Arromba que eu fiz, com a autorização do Roberto e do Erasmo, mudando os "convidados" da letra; tem também Tereza da Praia, que conta com a participação de Billy Blanco, I've Got You Under My Skin, Lígia e Se Todos Fossem Iguais a Você, cantada no começo e no final da apresentação.
O senhor acha que o humor está mais politicamente correto atualmente?
Não acho. A hora que o humor for politicamente correto perde sua função de crítica.
Mas o senhor acha que o humor mudou de uns anos para cá?
O humor ganhou um novo destaque entre os jovens, com uma coisa que eles acham que descobriram agora, o stand up comedy, que existe desde 1920, 1930... Sempre existiu.
E o senhor gosta destes novos talentos de stand up que estão surgindo?
Eu não quero citar algum para não ser injusto com os que eu não vi. Mas acho um caminho bom, tem gente boa neste ramo. Não é muito a minha, o meu negócio é mais o show de piadas com a música.
Mas o stand up de certa forma tomou o espaço do contador de piadas à moda antiga, aquelas com começo, meio e fim?
Cada um tem um estilo, um jeito de fazer. Todas as minhas piadas partem de fatos reais que aconteceram com as pessoas com quem convivi ao longo da minha carreira. O que não aconteceu de fato eu inventei, mas baseado em algo real. Costumo dizer que não conto nenhuma mentira, mas as verdades foram melhoradas um bocado (risos).
Das personalidades com as quais o senhor trabalhou, qual delas rendeu mais "causos" engraçados?
Tom Jobim era muito bem humorado e muito inteligente, então com ele sempre tinha boas histórias. Simonal e João Gilberto, idem. Dorival Caymmi sempre foi um crítico feroz de tudo, então também gerou histórias incríveis. Todas essas pessoas acabaram me dando material para as piadas. Costumava brincar com Vinícius de Moraes dizendo 'vamos ver quem vai primeiro, assim um não vai poder desmentir as histórias do outro'.
Os próximos shows que o senhor fará em 2010 seguirão esta linha de piadas e música?
Este disco vai servir como base para os outros shows. Tenho preparados o Um Brasileiro Chamado Jobim, que o próprio nome já dá uma dica sobre o que se trata, e Os Cariocas e o Paulista Intrometido, com piadas sobre cariocas. E vem uma novidade, uma parceria com Jorge Aragão, unindo a bossa nova e o samba.
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