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Música
Domingo, 8 de novembro de 2009, 13h24  Atualizada às 15h38
Faith No More conquista SP no grito e nos palavrões
 
Fabrício Calado Moreira
 
Celso Akin /AgNews
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Pra alguém que há alguns anos recomendava não botar muita fé numa reunião do Faith No More, até que o vocalista da banda, Mike Patton, parecia animadão no sábado. Foi a impressão de quem viu o frontman puxando o coro de palavrões do público durante o evento, realizado na Chácara do Jockey, no Morumbi, zona sul de São Paulo, e que teve como principal atração a banda.

Não foi o único show grande do festival. Além da ressurreição do Faith No More, outras bandas americanas foram Jane's Addiction, também recém-reunido e em turnê de revival dos seus primeiros discos, e Deftones. De artistas locais, o Maquinária escalou, entre outros, Sepultura e Nação Zumbi (que a reportagem não conseguiu ver; culpa do trânsito carregado para chegar ao lugar do festival). Aos shows, pois.

» Veja fotos do show

» Ouça Faith no More no Sonora

Já antigos conhecidos dos palcos daqui, o Deftones fez um show mais para iniciados que para iniciantes, com um set enfatizando as músicas dos primeiros álbuns. Apesar de problemas com o som, embolado e com um volume baixo das guitarras, a banda cumpriu sua função, de aquecer o público para o que estava por vir. Derretendo com o calor, mas bem mais magro que na apresentação anterior do grupo no País, em 2007, o vocalista Chino Moreno resgatou para o show seu visual skatista-maconheirão-largadão. O mesmo que inspirou legiões de imitadores no auge do chamado new metal, estilo que misturava rap com rock com letras sobre crises existenciais e que hoje respira com dificuldade.

Como em 2007 o Deftones já veio ao Brasil para a turnê do último álbum, Saturday night wrist, novidade foi só a abertura do show, com uma canção inédita (Rocket skates) e outro baixista no lugar do titular, Chi Cheng. O músico se recupera de um acidente de carro. Seu suplente, Sérgio Vega (ex-Quicksand), segurou devidamente a bronca no palco, em hits como Headup, Hole in the earth e a saideira 7 words.

Para o Jane's Addiction, os problemas com o som se foram e o circo foi armado - ou melhor escrevendo, um bordel. Vestido com um macacão dourado coladinho de cores espalhafatosas, o andrógino vocalista Perry Farrell provocava o público com incitações sexuais a todo instante, enquanto duas mulheres vestidas de modo igualmente provocante esbanjavam poses libidinosas em um canto do palco, decorado com um pano de fundo lisérgico. A outra atração da banda, o guitar hero Dave Navarro (ex-Red Hot Chilli Peppers), tocou sem camiseta e com um chapéu, e teve o torso nu assediado e elogiado por Farrell. Visualmente, a combinação era mais ou menos como juntar o Chico Science e o Ney Matogrosso num mesmo palco, se os dois tivessem nascido na Califórnia e curtissem zen budismo e solos à la Hendrix.

Os pontos altos do show foram quando o Jane's Addiction tocou aquela que foi eleita por alguém "a Stairway to Heaven do rock contemporâneo", o hit Jane Says. Mas houve espaço para outros momentos cativantes, como nos clássicos Mountain song e Stop! .

Chuva fria, público quente
E então, veio o FNM (pros íntimos, FêNêMê). O traje era fino: com exceção do baterista Mike Bordin, todos os músicos usavam ternos sóbrios, e Mike Patton, uma berrante camisa vermelha, bengala e guarda-chuva. O Faith No More chamou a chuva para o show de São Paulo. Houve até quem desse a ideia de eles aproveitarem o temporal pra tocar a clássica Epic, em referência ao bem-sucedido clipe do bem-sucedido hit da banda. Pois Epic veio, como vieram outros épicos - o esdrúxulo cover de Easy, dos Commodores, The gentle art of making enemies, uma versão em português macarrônico de Evidence, entre outras.

Na real, o público já estava ganho antes mesmo dos primeiros acordes de Re-united, cover de Peaches & Herb que tem abrido os shows da turnê The Second Comig do grupo.

Cínico e decididamente disposto a rir do público (e não necessariamente com ele), o vocalista Mike Patton cantava, sussurrava, berrava e, mais que tudo, provocava a audiência o tempo inteiro. Dedicou uma música ao Palmeiras e puxou o coro ao time, dividindo a platéia entre vaias e apoios. Coordenou também o levante de mãozinhas do públicos, nas partes mais harmônicas do set. Não parava de circular pelo palco, chegando até a cair em mais de uma ocasião.

Nada que comprometesse a performance ou o ânimo de Patton, que passou na fila do gargarejo só para puxar o coro de "porra, caralho" do público - e conseguiu. Na hora da plateia pedir bis, a dupla de palavrões sufocou o coro de Falling to pieces, que o FNM tocou no show do Rio de Janeiro. Falling to pieces não veio; em lugar dela, São Paulo ganhou Digging the grave, o que pareceu uma troca justa. Como no Rio, o vocalista também infiltrou versos de Ela é carioca, de Vinicius de Moraes, na música Caralho Voador, mas alterou a letra para Ela é paulista.

Como Patton foi ao show do Caetano Veloso em São Paulo nesta semana, é melhor agradecer: pelo menos ele não contrabandeou Leãozinho como música incidental.


 

Redação Terra
 
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