| Monstro Discos/Divulgação |
 A banda baiana Brinde está lançando seu primeiro CD |
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Esqueça o emocore, o nü metal, o rockabilly, o neopunk ou a idéia mangue beat de que é misturando que a gente se entende. O papo da Brinde é outro: a partir dos fundamentais Beatles, a banda faz um elogio à melodia do britpop e outro à lição do rock nacional de cantar letras juvenis inteligentes em português.
Após um bom CD-demo, em 2002, a Brinde confirma o seu promissor talento com o álbum Histórias Sem Meio, Começo e Fim (Monstro Discos). As 13 faixas incluem novas versões para as quatro do CD-demo (Tempo a Procurar, Voltar Atrás, Fim de Ano e Onde eu For) e uma canção escondida no final, See You Later, bem Oasis.
Revelação do novo rock soteropolitano, o grupo fez seu primeiro show em agosto de 2001, mas seus integrantes, Henrique Neves, 24 (voz, guitarra), Leno Blumetti, 23 (baixo), e Voltz, 24 (bateria), se conhecem e tocam juntos desde a adolescência em Cruz das Almas, pequena cidade do recôncavo baiano.
A paixão em comum por Paul, John, Ringo e George (e o rock britânico, de The Who e Kinks a Blur e Supergrass) uniu o trio que veio morar em Salvador para fazer faculdade - Henrique acabou deixando o curso de direito para dedicar-se apenas à música, Leno estuda odontologia e Voltz é bacharel em direito.
Compositor da banda, Henrique possui uma habilidade melódica acima da média do indie rock brasileiro e letras que transmitem um romantismo loser mais adequado ao céu nublado e chuvoso de Londres do que ao clima tropical de Salvador. Não por acaso, um dia ele sonhou em morar e montar um grupo na Inglaterra.
"Odeio praia, sol, essas coisas, mas nem tudo que escrevo é autobiográfico: apenas metade. O resto vem de situações que imagino", diz. Um exemplo do romantismo do rapaz é Voltar Atrás: "Não sei quanto tempo já tentei/ ver o mundo mudar/ sem me impressionar com a luz em teu olhar/ pensei que não era impossível/ te desarmar/ tão sensualmente indescritível...".
Produzido por andré t. (Retrofoguetes, Nancyta e Os Grazzers) no ano passado, o CD Histórias Sem Meio, Começo e Fim sofreu percalços na fabricação que atrasaram alguns meses o seu lançamento pelo atuante selo goiano Monstro Discos e provocaram certo estremecimento entre o hábil produtor e a banda.
"A fábrica cearense CD+ não fez um bom trabalho e o disco perdeu em sons graves. A CD+ deveria ser obrigada a refazer o trabalho, mas disse que só resolveria isso na justiça. A Monstro não se empenhou na questão e a banda não bateu pé firme, mostrando inexperiência em enfrentar problemas. Fiquei muito triste porque trabalhamos todo 2003 no projeto", culpa andré t.
Henrique contra-argumenta: "Respeitamos a opinião de andré, mas não tínhamos como retardar mais o lançamento do CD, que também teve problemas na impressão da arte gráfica da capa". Detalhes técnicos controversos à parte (e imperceptíveis para a maioria dos mortais), o álbum, felizmente, supera a questão.
O que a Brinde precisa agora é cuidar do filho e adquirir a experiência e a confiança que só a estrada dá a uma banda. Em novembro, toca na décima e festiva edição do Goiânia Noise.
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