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Música
Sábado, 23 de outubro de 2004, 12h24 
Marcelo Nova e Clemente dividem palco punk em SP
 
Edson Kumasaka/CCBB/Divulgação
Um dos destaques do show de Marcelo Nova foi a inédita  A Balada do Perdedor
Um dos destaques do show de Marcelo Nova foi a inédita A Balada do Perdedor
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    Marcelo Nova, vocalista do grupo punk baiano Camisa de Vênus, e Clemente, líder dos Inocentes, dividiram o palco do Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, em setembro, mostrando versões acústicas de algumas canções de suas bandas, além de contarem diversas histórias divertidas no projeto Um Banquinho e Rock'n'Roll.

    Veja trechos dos shows de Marcelo Nova e Clemente

    Clemente ficou responsável pela abertura do espetáculo. O paulista abriu o show cantando canções dos primordios do movimento punk, como Miséria e Fome. Clemente lembrou que, em 1983, teve que trocar algumas palavras da versão original para que a censura liberasse a música. "Mandamos as 13 músicas do que viria a ser nosso primeiro disco. Nove foram censuradas e acabamos tendo de lançar um compacto, Miséria e Fome, com quatro faixas", relembrou. Na seqüência, clássicos punk do quilate de Rotina, Ele Disse Não, Patria Amada e Pânico em SP, além de uma canção mais nova, A Raiva Vai nos Salvar.

    O roqueiro Marcelo Nova alternou canções do Camisa de Vênus com faixas de seus discos solo. Apresentou Coração Satânico, que foi vertida para o inglês e está no mais recente álbum solo da lenda Eric Burdon. Tocou clássicos do Camisa de Vênus, como Hoje, música que ganhou versões recentes dos gaúchos da Bidê ou Balde e dos santistas do Charlie Brown Jr.

    Sobretudo, Marcelo Noa relembrou belas histórias. "Uma vez o Rauzito chegou em casa com um papel todo amassado, daquele jeito dele, e perguntou: 'Marceleza, será que você pode me ajudar nessa música?' E então ele leu: 'Não sei porque nasci pra querer ajudar a querer consertar o que não pode ser. Não sei, pois nasci para isso e aquilo e o enguiço de tanto querer. Carpinteiro do Universo inteiro eu sou'. Eu olhei para ele e disse que não tinha mais nada o que fazer, a música já estava pronta". Foi a deixa para Nova relembrar a parceria com o ídolo e amigo Raul Seixas, presente no álbum A Panela do Diabo. O cantor ainda apresentou uma belíssima versão de Quando eu Morri ("uma de minhas melhores músicas"), uma crua A Ferro e Fogo (cuja versão original, do Camisa de Vênus, tem arranjo de orquestra) e a inédita (e forte) Balada do Perdedor.

    Para o final, Clemente retornou ao palco e, junto com Marcelo Nova, executou A Face de Deus. "Essa é uma canção dos Inocentes que eu sempre quis cantar", disse Marcelo Nova. Foi o fecho para uma noite de rock'n'roll movida a violões e boas lembranças.
     

    Redação Terra
     
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