| Guy Webster/Divulgação |
 Brian Wilson abandonou Smile em 1967. O músico teve um colapso nervoso e precisou ser internado |
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Se Brian Wilson pudesse mudar apenas uma coisa na vida, não seriam os traumas emocionais, a insegurança, o abuso das drogas, as batalhas contra o peso e os infinitos conflitos legais que quase o destruíram. "Eu trabalharia um pouco mais no ritmo de California Girls", diz Wilson. "Isso", completa com um grande sorriso, "é o meu único arrependimento."
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Wilson nunca foi conhecido por sua modéstia e nos últimos tempos tem exibido um grande sorriso. O gênio por trás das composições dos Beach Boys - num período em que a banda era tão importante quanto os Beatles - está de volta em toda sua força criativa.
A razão é Smile, uma ópera-rock de 47 minutos em três movimentos, que, em 1966, o compositor acreditava ser uma "sinfonia adolescente para Deus".
Ele tinha 24 anos. Agora tem 62. Exceto pela barriga e o tom acinzentado dos cabelos castanhos, Wilson parece o mesmo dos tempos em que, com seu rosto angelical, interpretava Surfin' Safari, Little Deuce Coupe, Surfer Girl, Catch a Wave e Fun Fun Fun.
Embora o grande público associe Wilson e os Beach Boys a odes de três minutos ao mar, garotas e carros, o artista é um dos maiores compositores da música pop.
Depois que Beatles abalaram as estruturas do pop com a elaborada produção de Rubber Soul, em 1965, Wilson respondeu a eles com Pet Sounds. Os Beatles entenderam o recado e - depois do lançamento de Revolver - compuseram Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, um trabalho eleito pela Rolling Stone como o melhor álbum de rock já feito na história. Pet Sounds é o número 2.
"Rubber Soul foi uma experiência muito intensa para mim. Eu escutei o disco e fui direto para o piano escrever Pet Sounds", diz Wilson.
Enquanto os Beatles davam vida ao Sgt. Pepper no estúdio, Wilson preparava Smile para os Beach Boys. Com o lançamento dos fab four e a dificuldade de convencer os companheiros de banda da relevância de Smile, Wilson teve um colapso nervoso. Frustrado, o compositor colocou fogo no próprio estúdio, destruiu as fitas originais de Smile e entregou-se a um regime de drogas variadas.
"A pressão de tentar viver com meu nome foi um pouco demais para mim. Tive dificuldades, dificuldades mentais", diz ele. "Mas trabalhei muito apesar disso".
"Eu nunca achei que Smile fosse ser um hit. Sempre o imaginei como uma bomba", diz. "Era uma música muito avançada para época que só seria entendida com o passar do tempo", avalia, lembrando que sua mulher, Melinda, o persuadiu a terminar o álbum.
"Eu não me considero um gênio. Sou apenas um compositor talentoso", diz Wilson, com a consciência de que Good Vibrations e Califórnia Girls são obras-primas. Mas não pergunte como as canções foram feitas.
"Ele diz que Deus o conduziu até elas e eu acredito que isso seja verdade", diz, com conhecimento de causa, o músico Jeffrey Foskett, amigo e colaborador de Wilson há mais de 25 anos.
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