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 Smile é, segundo Brian Wilson, a tentativa de se fazer uma sinfonia jovem para Deus |
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Uma onda de acontecimentos acompanhou o lançamento do finalmente concluído álbum Smile, de Brian Wilson, pela Nonesuch Records. No primeiro domingo de outubro (03), duas apresentações completas do trabalho foram gravadas num palco da Burbank para sair em DVD em abril próximo, pela Warner Home Video.
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Na quinta-feira seguinte (07), Wilson deslancha uma turnê de um mês de duração que vai incluir apresentações de Smile inteiro; as paradas vão incluir o Carnegie Hall, em Nova York (12-13 de outubro) e o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles (2-3 de novembro). O músico também fará uma parada no Brasil, onde se apresenta no Tim Festival, em São Paulo, no dia 7 de novembro.
No começo de outubro, a rede Showtime estreou o espantoso documentário Beautiful Dreamer: Brian Wilson and the Story of Smile, sobre o difícil processo de dar à luz o álbum. A direção é de David Leaf, amigo de longa data de Brian Wilson.
O projeto levou "apenas" 38 anos para ser concluído.
Hoje Brian Wilson diz: "Eu amo esse álbum. Os músicos de 1967 não eram nem de longe tão bons quanto os que tenho hoje. São cantores mais angelicais do que os Beach Boys."
Smile começou como projeto da banda de Wilson, Beach Boys. A história que há por trás do álbum é quase lendária.
Em 1966, quando a banda estava em turnê com ele, Brian Wilson estava preparando um conjunto complexo de canções compostas em parceria com o letrista Van Dyke Parks. Uma onda de matérias de jornal antecipadas saudavam Smile como um trabalho de gênio.
Mas as apreensões do artista e objeções feitas pelos outros Beach Boys ao conteúdo impressionista do álbum levaram o projeto a ser deixado de lado até junho de 1967 - justamente quando foi lançado o álbum dos Beatles Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.
Foi apenas no ano passado que Wilson decidiu concluir o álbum. Ele chamou seu líder de banda, Darian Sahanaja, e Parks para o ajudarem a completar o terceiro movimento do trabalho. O álbum foi tocado ao vivo em público pela primeira vez em fevereiro, no Royal Festival Hall de Londres, em clima triunfal.
O diretor Leaf observa: "Era uma história em dois atos em busca de um final feliz, e Brian criou esse final feliz no ano passado."
No disco e nas apresentações ao vivo, Smile - em que o destaque são três canções clássicas de Wilson, Heroes and Villains, Surf's Up e Good Vibrations - é glorioso e uma obra-prima, exatamente como se disse a seu respeito.
Mas a grandeza cobra um preço alto, coisa que o documentário Beautiful Dreamer deixa claro. O filme revela que Wilson quase se internou num hospital depois de retomar o trabalho sobre Smile este ano.
Até hoje, Wilson, que sofreu um colapso nervoso depois de desistir de "Smile" nos anos 1960, ainda fica nervoso e assustado quando toca o álbum. Ao final, porém, a história de Smile é a história da vitória de um artista.
"Para contar essa história foi preciso mergulhar na época sombria da vida de Brian, e é doloroso assistir a isso", comentou Leaf. "Mas hoje Brian está feliz. Ele diz que está curado, e é verdade."
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