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 Bruce Springsteen faz o último show do estádio Giants |
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O estádio Giants ouviu seus últimos sha-la-las -- ao menos, o tipo amplificado com dezenas de milhares de vozes cantando juntas -- na noite de sexta-feira, quando Bruce Springsteen fez seu concerto final, antes do estádio ser demolido. Durante o programa de três horas, o coro de vozes preencheu Working on a Dream, deste ano, a canção de 1984 Darlington County e a música de Tom Waits Jersey Girl, o grand finale que Springsteen chamou de última dança do estádio. Foi a 24ª apresentação de Springsteen no estádio Giants desde 1985, onde o público é formado por seus fãs mais fervorosos: os cidadãos de Nova Jersey.
» Ouça Bruce Springsteen no Sonora
Natural do Estado, Springsteen pôde se identificar com o lugar, como de fato fez -- ao menos um pouco -- com Wrecking Ball, uma canção robusta com guitarra distorcida que escreveu para começar cada um de seus cinco concertos finais no estádio. "O vídeo de uma apresentação está em brucespringsteen.net."
Talvez seja a única canção feita para tornar o estádio Giants em si o narrador, "surgido do aço nos pântanos de Jersey". Ela relembra jogos disputados e sangue derramado e visualiza o destino do estádio quando "todo este aço e estas histórias desaparecem e enferrujarem/ e toda a nossa juventude e beleza for relegada ao pó". Como de costume, Springsteen pensava sobre trabalho, mortalidade e um senso de lugar, na forma de um coro em que todos pudessem participar.
Ele não foi sentimental demais. Mais tarde, chamou o estádio Giants de "o último bastião de arquibancadas esportivas a preços acessíveis".
Em cada um dos concertos que fez no estádio Giants, Springsteen tocou um de seus álbuns até o fim, e o escolhido para a sexta-feira foi seu sucesso de 1984 Born in the USA. Antes de começar a faixa-título, ele disse que ela era "a canção com a qual começamos na primeira vez em que entramos nesta arena".
O álbum inaugurou a era de estádios de Springsteen, quando ele batalhou para atrair grandes públicos, embora ainda jogando sob suas próprias regras. Born in the USA é um álbum de grandes refrões e batidas amplas. Também é um álbum sobre lar: um país (os EUA), uma cidade natal (My Hometown) e casas com memórias íntimas. E um paradoxo.
As canções, em geral, são sobre tempos difíceis e perdas irreparáveis, mesmo nos sucessos: Born in the USA, sobre um veterano do Vietnã negligenciado, e Dancing in the Dark, sobre depressão com um frágil fio de esperança. Porém, a maior parte das músicas é de celebração, desafiando reveses com rock'n'roll: Darlington County do Rolling Stones, os acordes alegres de Glory Days, ou a energia rockabilly de Working on the Highway, que termina com seu narrador na prisão.
Os músicos que fizeram Born in the USA. ainda formam a E Street Band de Springsteen, exceto o tecladista Danny Federici, que morreu no ano passado. O show não tinha celebridades convidadas, era tudo prata da casa.
Ao apresentar o álbum 25 anos depois, Springsteen cantou com nuances mais profundas; ele foi mais desesperado em Born in the USA, mais raivoso em I'm Goin' Down. E a banda avolumou levemente o som, mas sem desarranjá-lo. Houve um interlúdio percussivo de Max Weinberg em Born in the USA e Nils Lofgren tocou solos de guitarra frenéticos e abrasadores em Cover Me. As músicas não desbotaram.
O restante do show atravessou a carreira de sucesso de Springsteen, retrocedendo até Spirit in the Night, de seu álbum de estreia de 1973. A apresentação reafirmou o companheirismo da banda: Springsteen beijou Patti Scialfa, sua esposa e cantora do coro da E Street, e Clarence Clemons, saxofonista da banda. A seleção atravessou estilos, da descontraída Kitty's Back (com Roy Bittan chamando atenção com seu piano jazzístico e Springsteen tocando sua guitarra de blues) à dança irlandesa de American Land e a hinos como Badlands.
Houve um pouco de política em Last to Die e uma precipitação de redenção em The Rising e Born to Run (que teve na percussão Jay Weinberg, filho de Max e substituto ocasional da E Street Band). E houve o laço sempre renovado entre Springsteen e seu público. Ele passeou onde fãs pudessem agarrar suas pernas, atendeu a pedidos -- escolhendo "o pedido perfeito para esta noite", a canção do Rolling Stones The Last Time -- e se jogou na multidão em Hungry Heart. Os telões alternavam entre Springsteen e banda e fãs cantando versos e coros, como se dizendo que as músicas agora também eram deles.
Elas foram canções cheias de gente trabalhadora, e o último adeus de Springsteen a seu estádio foi para essa gente: ele dedicou Jersey Girl a "toda a equipe e o pessoal que trabalhou todos esses anos no estádio Giants". Alguns provavelmente cantaram junto.
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