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Música
Quinta, 30 de setembro de 2004, 12h43 
"Smile" era muito avançado para a época, diz Brian
 
Divulgação
Brian Wilson usou muitas drogas para compor  Smile
Brian Wilson usou muitas drogas para compor Smile
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Brian Wilson teve uma forte razão para sorrir vitorioso com o lançamento de Smile, o álbum que teria mudado a música pop três décadas atrás, mas foi abandonado pelo músico em 1967. "O álbum ficou na gaveta durante 38 anos porque seu som era muito avançado para o público", declarou à EFE o líder da banda. "Na época não o teriam entendido, mas agora acho que o mundo está preparado para Smile", resume Wilson, com satisfação de dever cumprido.

Especial Brian Wilson: Ouça trechos de Smile, veja fotos e confira entrevista com o músico

Foi um longo caminho para o álbum, que começou a ser criado em 1967. Na época, a música dos Beach Boys, um som sempre unido ao sol, à praia e ao surfe na Califórnia, tinha chegado ao auge da popularidade graças ao disco Pet Sounds.

Foi nessa período que as lendas da história da música pop remetem a um Paul McCartney admirado com o som dos Beach Boys e tentando superá-lo com sua própria banda: os Beatles. Para os quatro rapazes de Liverpool, foi o começo do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, álbum que revolucionou o mundo da música em conceito e em estrutura.

O álbum conceitual dos Beatles não teria soado tão revolucionário se Wilson tivesse publicado a obra que compôs naquela época para superar o seu próprio Pet Sounds. O disco era "a sinfonia alegre de juventude para Deus" intitulado Smile, que ele compôs sozinho quando as tensões com a banda e suas crises nervosas tinham afastado Wilson das turnês.

"Pudemos fazer música avançada porque usávamos LSD, maconha e anfetaminas, que acelerava nossa mente", admite Wilson às claras sobre uma fase de sua vida consumida pelas drogas.

Se as drogas aceleraram sua criatividade, também levaram seu talento a uma espiral de crises mentais e pessoais. Isto manteve o trabalho afastado não só do público mas dele mesmo durante anos.

Agora, a vida de Wilson finalmente mudou, aos 52 anos. Ele recuperou sua música e concluiu um trabalho que, três décadas mais tarde, continua sendo considerado uma jóia do pop. "Agora só preciso de uma boa salada, um pouco de peixe e muito exercício para minha música", diz. Dentro de uma evolução musical e pessoal, Wilson permanece expressando o mesmo talento.

Além disso, há a companhia de sua família e de seus 12 cachorros. Alguns dos animais têm nomes de antigos rivais, como Ringo Starr e John Lennon. Wilson vive com eles em sua casa em Beverly Hills, onde está desfrutando do sucesso.

"Eu me sinto muito feliz de poder escutar agora este álbum, que me traz boas lembranças, imagens de quando éramos jovens e criativos", afirma com entusiasmo e intensidade inusitados, talvez fruto desses outros anos em que queria falar em público.

Apesar do momento de felicidade pela recepção dada ao álbum que chega às lojas nesta semana, as rixas do passado continuam vivas. Wilson afirma claramente que sua interpretação é muito melhor do que nunca teria sido com os Beach Boys.

No entanto, outras rivalidades, como a concorrência velada com os Beatles, parecem ter desaparecido para sempre. fato, Wilson está trabalhando junto com McCartney em um álbum que espera estar pronto em janeiro do ano que vem. Novas canções compostas por Wilson serão interpretadas pelos dois.

"Vai ser muito divertido, um projeto levado pelo desejo de fazer boa música como a de Phil Spector", acrescenta Wilson, mencionando o produtor musical dos Beatles. A vontade do ex-líder dos Beach Boys é lembrar o trabalho de quem, para ele, é um dos melhores produtores musicais da história. Mas Wilson prefere não entrar em detalhes sobre a situação pessoal de Spector, atualmente acusado nos EUA de assassinar uma garçonete.

Wilson vive para a música e espera que a publicação de Smile sirva não só para satisfação pessoal mas também para inspirar novas gerações a compor boa música. "Os jovens de hoje em dia vão ficar alucinados com este som", assegura. Wilson espera que, 38 anos mais tarde, a revolução recomece.
 

EFE

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