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Música
Sexta, 14 de agosto de 2009, 12h52  Atualizada às 13h00
Woodstock 40 anos; leia relatos de quem esteve lá em 69
 
Colette Bancroft
St. Ptersburg Times
 
Getty Images
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Se todos os americanos da faixa dos 60 anos de idade que alegam terem comparecido a Woodstock realmente tivessem estado lá, a plateia se estenderia do interior do Estado de Nova York até o meio de Manhattan. Alguém deveria avisá-los de que assistir ao filme não conta. Mas para algumas pessoas dessa faixa de idade que hoje vivem na região de Tampa Bay, Woodstock foi de fato uma das experiências inesquecíveis de suas vidas.

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Há 40 anos, acontecia o Woodstock Music & Art Fair, em uma área rural próxima à cidade cujo nome o festival tomou de empréstimo. O palco foi montado na fazenda de Max Yasgur, uma propriedade de 240 hectares em Bethel, Nova York.

Mais de 30 dos principais nomes da música dos anos 60 se apresentaram, do Who e Janis Joplin ao Grateful Dead, Joan Baez, Crosby, Stills, Nash & Young e Jimi Hendrix. O plano era que o festival começasse na sexta-feira, 15 de agosto de 1969, e se estendesse até o domingo, mas as coisas não funcionaram como se previa.

Ninguém previu os congestionamentos quilométricos. Ninguém previu a chuva torrencial. Ninguém antecipou que os músicos virariam as noites tocando, até de manhã, o que estendeu o festival até a segunda-feira. E ninguém antecipava que um evento que vendeu 186 mil ingressos antecipados viesse a atrair uma multidão de quase meio milhão de espectadores. Woodstock conseguiu concretizar sua proposta de um fim de semana de paz e música, e ganhou posição como um marco histórico e cultural. À medida que o frenesi das celebrações de aniversário ganha mais volume que um solo de guitarra de Hendrix, é hora de conversar com algumas pessoas da região que fizeram parte da tribo de Woodstock.

E decidimos que inverteríamos o jogo, perguntando se eles permitiriam que seus filhos fossem a um festival como Woodstock:

Steve Kochick
Morador de Madeira Beach
Profissão: Tenente reformado no corpo de bombeiros de Nova York, e hoje comissário municipal e vice-prefeito de Madeira Beach.
Idade então: 22
Idade atual: 62
Momentos memoráveis: Eu tinha acabado de voltar do Vietnã, quatro meses antes (depois de 13 meses de serviço militar naquele país). Na estrada de terra que levava ao local do festival, percebi um sujeito que estava usando uma jaqueta do exército, uma espécie de camisa de soldado. Olhei para o lado e percebi a insígnia de sua unidade na manga. Era a 196ª Brigada de Infantaria Leve, a mesma unidade em que eu havia servido. O sujeito e eu tínhamos combatido juntos. Ele voltou seis ou sete meses antes de mim. De repente, ele me olhou e disse: "Steve! Você sobreviveu". No meio de toda aquela gente, todos aqueles rostos, lá estava justo aquele sujeito com quem eu tinha dividido uma trincheira. Foi uma experiência fantástica. Havia muita felicidade em torno de nós. Creio que foi por isso que decidi me dedicar ao serviço público. Escolhi minha carreira como uma maneira de redespertar aqueles pensamentos de criar uma comunidade melhor, aquela crença de que existem coisas pelas quais vale a pena lutar.

Você permitiria que seus filhos fossem? Minha filha participou de uma das novas edições do festival, acho que em 1999. Ela se divertiu, mas não creio que a experiência toda tenha sido a mesma. O que vivemos lá não pode ser recriado.

Doug Erdman
Morador de Largo
Profissão: diretor de tecnologia de informação do Boley Centers for Behavioral Healthcare, St. Petersburg
Idade então: 17
Idade agora: 56
Momentos memoráveis: Uma das coisas que se destacam é como era difícil se afastar da multidão. O lugar era um anfiteatro natural, e todas as barracas de comércio e os sanitários portáteis ficavam no alto da colina. Assim, chegava um momento em que todo mundo precisava subir até lá. A parte difícil era voltar e encontrar sua turma, no meio de toda aquela gente. Na verdade, era trabalho da turma encontrar você - o pessoal se levantava e acenava com os braços quando viam você se aproximar. Fomos como que bombardeados por todas as apresentações, pelos anúncios do locutor entre os números musicais ¿"hoje somos a terceira maior cidade no Estado de Nova York". Víamos os helicópteros. Sabíamos que o festival havia se transformado em grande notícia. Eu mais ou menos esperava ser recebido como heroi quando cheguei em casa. Mas meus pais estavam sentados na varanda e só disseram: "Bom que você voltou. Agora vá tomar um banho". A reação deles à minha sobrevivência não me impressionou.

Você permitiria que seus filhos fossem? Muita coisa mudou. Woodstock foi algo de bom, e não havia a violência que vemos agora. Hoje em dia, não se sabe o que poderia acontecer, e isso me faria relutar.

Paula Rosen
Moradora de Seminole
Profissão: Aposentada depois de 25 anos como professora de pré-escola na Starkey Elementary School.
Idade então: 26
Idade agora: 66
Momentos memoráveis: No verão de 1969, eu estava morando perto de Woodstock, e minha amiga Susan conhecia um cavalheiro chamado Stanley, que era bruxo. Ele era amigo de todos os músicos que estavam vivendo em Woodstock na época (Bob Dylan, The Band, Paul Butterfield), e disse que conseguiria credenciais para que ficássemos nos bastidores se nós o levássemos de carro ao festival. Mas não conseguimos usar as credenciais porque a organização simplesmente abriu os portões e deixou todo mundo entrar. A chuva foi realmente importante para tudo que aconteceu, na minha opinião. Foi um temporal realmente forte, uns 15 centímetros de chuva. Muita gente estava despreparada para aquilo, e acredito que a chuva tenha sido um dos motivos para parte do que aconteceu - o pessoal tirando a roupa e tudo mais. Fomos até entrevistados, porque fomos praticamente as primeiras pessoas a ir embora do festival, na manhã de sábado. Tínhamos um bebê em casa, um cachorro conosco, e não havia comida. Mas foi maravilhoso... Tudo aconteceu porque a música era tão maravilhosa, todos aqueles grupos reunidos, tanto brilho.

Você permitiria que seus filhos fossem? Deixamos meu filho (mais velho) com minha irmã, e ele jamais me perdoou. Ele sempre diz que poderia se gabar aos amigos de que esteve em Woodstock com um ano de idade.

Jack e Mary Shea
Moradores de Tarpon Springs e Nova Jersey
Profissão: Ele se aposentou como cervejeiro da Anheuser-Busch; ela é enfermeira aposentada
Idade então: Ambos 22
Idade agora: 62
Momentos memoráveis (para Mary): Morávamos a cerca de uma hora de Bethel, e porque conhecíamos as estradas locais nós evitamos o tráfego e chegamos de moto na tarde de sexta-feira. Tínhamos acabado de casar; eu havia me formado na escola de enfermagem. Não éramos hippies, e a maioria das pessoas presentes eram muito jovens e, acho, muito envolvidas no movimento. Por isso a gente só assistia a tudo de boca aberta. Não nos encaixávamos bem no meio daquele pessoal, mas eles eram muito simpáticos e generosos. Só tínhamos levado um pacote com seis cervejas e um galão de vinho, imaginando que poderíamos comprar comida por lá. Na tarde do sábado, quando a comida acabou, trocamos um pouco de vinho por salgadinhos, com pessoas que não conhecíamos, e demos algumas tragadas nos baseados que rolavam pela plateia. Não usamos outras drogas, mas vimos muita gente chapada ao nosso redor.

Você permitiria que seus filhos fossem? Nosso filho participou do festival de celebração dos 25 anos de Woodstock, quando ele tinha 17 anos. Nós tínhamos viajado à Itália para comemorar nosso aniversário de casamento, e ele foi. Vivia nos chamando de hippies sujinhos porque fomos a Woodstock. Ele e os amigos voltaram encharcados. Não creio que tenham aguentado nem uma noite.

Thomas Ellwanger
Morador de Tampa
Ocupação: Aposentado depois de 33 anos como advogado especialista em planejamento de espólios no escritório Fowler White.
Idade então: 20
Idade agora: 60
Momentos memoráveis: Quando estávamos a caminho de Woodstock, o amigo com quem eu estava viajando comprou algumas drogas, algum tipo de ácido, que nós tomamos imediatamente, para entrar logo no espírito da coisa. Como resultado disso, eu tive de passar o resto do final de semana tomando conta dele. Nós montamos a nossa barraca na encosta da segunda colina; lá embaixo, no sopé da elevação, estava estacionado um ônibus escolar pintado em múltiplas cores, em padrão psicodélico. O ônibus servia como quartel-general para o escritor Ken Kesey e os Merry Pranksters. Era fácil reconhecer Kesey lá de cima, porque ele era um sujeito grandalhão. O pessoal dele terminou ajudando muitas das pessoas que estavam sofrendo de falta de comida ou excesso de drogas.
Todo mundo foi muito generoso. Todo mundo tratava os outros com carinho. Nunca vi tantos malucos reunidos.

Você permitiria que seus filhos fossem? Certamente permitiria que fossem, sim. A grande questão moral que descobri que tinha de enfrentar, quando me tornei pai, era: "se você encontrar a maconha escondida de sua filha, você briga com ela ou enrola um baseado e fuma?" Fazer as duas coisas seria hipocrisia.

Tradução de Paulo Migliacci
 

The New York Times
 
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