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Música
Sexta, 14 de agosto de 2009, 12h09  Atualizada às 13h00
Triunfo da geração "paz e amor", Woodstock completa 40 anos
 
Claudio R. S. Pucci
 
Getty Images
Apresentação de Joe Cocker foi um dos marcos do festival
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    O ano era 1969. A Guerra do Vietnã corria solta, tumultos raciais tomavam conta da América, os Beatles haviam feito sua última aparição pública nos telhados da Apple Records, Led Zeppelin lançava o primeiro disco de heavy metal do mundo, Nixon tornava-se presidente dos EUA, De Gaulle caía na França e finalmente a Apollo 11 fazia seu pouso na lua.

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    » Woodstock faz 40 anos e deixa legado paz e amor na moda
    » Leia relatos de quem esteve no Woodstock
    » Ouça a rádio Woodstock no Sonora

    Os tempos eram incertos e a juventude clamava por mudanças e pela quebra dos padrões convencionais de comportamento. É neste cenário que quatro jovens, Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, decidem montar um estúdio-retiro em Woodstock, no estado de Nova York e, depois de muita discussão, a ideia evoluiu para um show de música e arte que mudaria o mundo.

    Para tornar a empreitada real, os quatro bateram na porta de muitas empresas pedindo fundos. Diversos proprietários da região recusaram sediar o show até que um fazendeiro, Max Yasgur, alugou um terreno de 2,4 quilômetros quadrados na localidade rural de Bethel. Os empresários acreditavam que não mais que 50.000 pessoas iriam participar do evento e passaram a vender ingressos pelo correio e em lojas de discos na Big Apple. Foram vendidos rapidamente 186.000 ingressos, custando US$ 18 (cerca de US$ 75 hoje, aplicando-se inflação), o que fez os organizadores alterarem sua previsão para um público de 200.000 pessoas.

    Mas o resultado foi muito maior do que isso, meio milhão de pessoas apareceram, lotando as estradas do estado (o congestionamento chegava a 32 quilômetros e os artistas eram obrigados a chegar de helicóptero), e causando um verdadeiro caos logístico. No final, as cercas foram derrubadas e o concerto foi proclamado gratuito.

    O motivo para tanto alarde era explicável: o show reuniria alguns dos maiores nomes da música na época, gente do calibre de Jimi Hendrix, Joan Baez, Crosby, Still, Nash & Young, The Who, Sly and the Family Stone, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Santana e Joe Cocker, entre tantos outros, além de ser uma forma de protestar pela paz e entendimento dos povos.

    Do momento em que Richie Havens abriu o espetáculo na sexta-feira, 15 de agosto, às 17h07m. com sua canção High Flying Bird, até o encerramento feito por Hendrix com a música Hey Joe na manhã de segunda, dia 18, Woodstock se tornou uma pequena nação. Diferentes raças, credos e estilos se combinaram sem brigas ou confusões. Apesar dos meios de comunicação terem focado os holofotes apenas no caos das estradas e nos hippies com suas drogas, nenhum incidente grave foi registrado durante o festival. Nem mesmo a chuva, a escassez de comida, o abuso de drogas e a falta de condições sanitárias impediram que os três dias fossem pacíficos e de celebração à vida.

    Foram registradas apenas duas mortes (uma por overdose de heroína e outra em um acidente onde um trator passou em cima de uma pessoa que estava dormindo), mas também ocorreram dois nascimentos em meio à celebração, dando um toque peculiar ao sentido de ciclo da vida.

    O proprietário do terreno, Max Yasgur, considerou o espetáculo uma vitória da paz e do amor e emendou: ¿Com todas as possibilidades de tumulto, roubo, desastre e catástrofe, meio milhão de pessoas passaram três dias com música e paz em suas mentes. Se nos juntarmos a elas, podemos mudar as adversidades que são os problemas da América hoje e transformá-las em um futuro mais brilhante e mais pacífico¿. Já o cantor David Crosby chegou a afirmar à revista Rolling Stone que ele e muitas pessoas se achavam um bando de dispersos hippies até chegarem a Woodstock e ver que a coisa era muito maior do que eles pensavam.

    Para a benção das futuras gerações, os organizadores haviam feito um acordo de US$ 100.000 com a Warner e todo o festival foi filmado, gerando um documentário ganhador de um Oscar (editado pelo estreante Martin Scorcese). Nele é possível ver Joe Cocker transformando a baladinha sem graça With a Little Help From My Friends, dos Beatles, em um poderoso canto gospel, ou Jimi Hendrix dando sua interpretação do hino nacional americano, além de conferir outros 30 gênios musicais dando seu melhor.

    Também foi registrado para sempre o comportamento alternativo da plateia e sua influência nos anos seguintes. O amor livre e sua maior consequência, a gravidez pós-festival, criaram uma geração Woodstock. Os hippies conseguiram encontrar seu lugar no mundo e a repercussão internacional do acontecimento também afetou profundamente os artistas, inclusive os já famosos e consagrados, como The Doors, Led Zepellin, Jethro Tull, Moody Blues, que, por um motivo ou outro, torceram o nariz para o grande evento de 1969, mas passaram a se apresentar em outros festivais, como o da Ilha de Wight, na Inglaterra.

    Em 1994, uma tentativa de reviver Woodstock foi feita, mas segundo um crítico da época, o pessoal que participou da primeira edição agora chegava em suas Mercedes e a coisa toda perdeu o sentido.

    * Claudio R S Pucci é colaborador do Terra e se tivesse uma máquina do tempo iria participar de Woodstock só para ver Jimi Hendrix
     

    Especial para Terra
     
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