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Música
Terça, 9 de junho de 2009, 12h12 
Caixa de Caetano Veloso traz 10 CDs e um de gravações raras
 
Nelson Gobbi
 
Getty Images
Nova caixa mostra gravações raras de Caetano Veloso
Nova caixa mostra gravações raras de Caetano Veloso
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    O período recortado pela terceira caixa da coleção Quarenta Anos Caetanos - que esteve ameaçada de não passar do segundo box, mas segue quase três anos depois do início do projeto - entre 1983 e 1994 cobre uma época significativa tanto do ponto de vista da obra do baiano quanto da própria produção fonográfica brasileira. Este período testemunha a ascensão do rock nacional, seu posterior declínio ao final da década de 80 e o crescimento dos gêneros populares, como o sertanejo e o pagode.

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    É interessante comparar a transformação pela qual passava a indústria cultural brasileira (que ainda experimentaria tempos de uma ilusória prosperidade em meados da década de 90, graças à euforia do real e à popularização do CD) com os caminhos que Caetano dava à carreira. ´

    Uns, de 1983, mostra o compositor ligado umbilicalmente à MPB que ajudara a formar e conceituar, mas aberto às tendências que as bandas que começavam a despontar emulavam. Enquanto paga tributo à bossa formadora, com a gravação de Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), Caetano olha à frente com Eclipse oculto, posteriormente gravada pelo Barão Vermelho. A tendência se confirma em Velô (1984), no qual, acompanhado pela amplificada Banda Nova, pôde brincar com mais liberdade a partir das mesmas possibilidades sonora que muitas vezes era engessada pelo rock.

    Década de incertezas
    Como de hábito, Caetano reprocessa sua trajetória no álbum seguinte, Totalmente Demais (1984) - gravado no mesmo período do irmão gringo Caetano Veloso, registrado nos EUA e lançado no Brasil só em 1990 ¿ e aposta no formato voz e violão, no qual harmoniza Humberto Teixeira (Kalu) e Frejat e Cazuza (Todo Amor Que Houver Nessa Vida).

    A volta da Banda Nova acontece em 1987 com Caetano, que, junto a Estrangeiro (1989), reflete com ironia e certa descrença o Brasil que começava a emergir após duas décadas de ditadura militar. A euforia democrática, parcialmente abalada pelo governo de José Sarney, abria caminho para uma década de incertezas, inaugurada com a eleição de Fernando Collor. O hino Fora da Ordem, que abre Circuladô (1991) - o mais significativo álbum lançado pelo compositor no período delimitado pela caixa - foi a síntese da época em que disputava espaço no dial com sertanejos e pagodeiros emergentes. O acolhimento foi tamanho que gerou, no ano seguinte, Circuladô Vivo, com o qual Caetano fez um balanço de carreira, aos 50 anos.

    Além de Fina Estampa (1994), voltado às canções hispânicas que o cantor inclui entre as bases de sua formação musical, Tropicália 2 (1993) completa a caixa, retomando ao lado de Gilberto Gil o movimento criado duas décadas antes, a partir de uma visão distanciada do movimento.
     

    JB Online
     
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