| Luciano Seade/Especial para Terra |
 Kate Pierson se apresenta com o B-52s na capital gaúcha |
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Noite outonal em Porto Alegre, permitindo a indumentária que convier ao usuário, de acordo com o frio - ou a falta dele. Muitas das pessoas que chegam ao Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, estão à vontade para celebrar a vinda - a primeira - do B-52's à capital gaúcha.
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Há desde quem arrisca um penteado semelhante ao das vocalistas Kate Pierson e Cindy Wilson, ou então ao estilo despojado, cool e discotecário de Fred Schneider - até mesmo uma mistura de Erik Estrada, dos Chips, com Freddie Mercury estava lá.
As idades variam muito, e não é difícil identificar os quarentões que apostam nos hits da banda americana, como Rock Lobster e Legal Tender. A banda vem apresentar seu último álbum de estúdio, Funplex, lançado em 2008, com a retomada do som que fizeram no final da década de 70, quando a banda surgiu.
Todos prontos quando a luz diminui, Kate, Cindy, Schneider e o guitarrista Keith Strickland estão no palco, gritos e aplausos se misturam, e a festa começa. Festa sim, pois o B-52's é uma banda (se não A banda) que prima pela diversão. Pump, a primeira música do recente álbum, dá o indício do que vem a seguir: quatro também quarentões - ou cinquentões - com todo gás, como se tivessem ainda vinte anos, prontos para uma noite de farra.
O palco lembra danceterias dos anos 80, com luzes multicoloridas em todos os cantos, até mesmo em alguns instrumentos, como o pandeiro de Schneider e o chocalho de Kate. Com o apoio de uma banda afiada, bateria, baixo e teclados completam o clima, e num instante estão todos de volta à época onde cabelos coloridos pediam penteados de meio metro de altura, e os solos de guitarra eram feitos para dançar.
Feita a recepção com mais algumas músicas do novo álbum, é chegada a hora de presentear a todos com Private Idaho, hit absoluto da trupe, com as vozes que o tempo esqueceu de envelhecer. Aliás, não só a voz, mas o tempo para os membros da banda passa lento - principalmente para Strickland, o guitarrista cool que parece ter saído de uma zona criogênica.
Mesmo se não tivesse esse diálogo, o público responderia à altura. Se com as músicas menos conhecidas ouve-se gritos, aplausos, "u-hus" e afins, nos hits a empolgação é tanta que a festa cria vários ápices. Um deles fica com Roam, cantada junto com o público, que só não consegue vencer Kate e Cindy pela falta de um microfone na mão. Vontade não falta.
Brincadeiras (com direito a "pistolas laser" das mãos do vocalista) e danças vintages ilutram músicas como Love In The Year 3000, Funplex e Hot Corner, até a chegada de Love Shack, outro hit absoluto que termina a apresentação principal. Ainda tem o bis, que os quarentões ainda aguardam com Rock Lobster e Legal Tender. Virá alguma?
Na apresentação da banda, feita por Schneider, a hora que o vocalista cita Kate Pierson, é a mais ovacionada - normal, visto que a vocalista teve parceria com R.E.M. e Iggy Pop também na década de 80. A espera pelo bis não dura muito, e eles voltam fazendo um instrumental com direito a sons de walkie-talkie, duelos entre vocais e teclados em Planet Claire. Keep This Party Going, a seguinte, cita Porto Alegre (como deve homenagear toda cidade em que tocam) e o tempo está acabando.
Onde está Rock Lobster e Legal Tender? Se tivessem que escolher, qual das duas músicas o público gostaria de ouvir? A resposta veio nos primeiros acordes do primeiro - e talvez maior - sucesso do grupo, e num instante todos estão com o "rock da lagosta" nos ouvidos para o grande final. Despedem-se, agradecem e deixam o palco, onde mal os pés desencostam do tablado e o público quer mais, mesmo sem esperança.
Eles não voltam, a música do DJ começa a tocar, e as pessoas começa a sair com o sorriso e a sensação de terem presenciado uma grande festa, divertida e contagiante, animada por quarentões/cinquentões para todas as idades.
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