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Música
Sexta, 17 de abril de 2009, 13h29 
Legião Urbana lança músicas no Sonora; confira a entrevista
 
Osmar Portilho
 
Divulgação
Primeiro disco da Legião Urbana já está no Sonora
Primeiro disco da Legião Urbana já está no Sonora
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    Após 13 anos do fim da Legião Urbana, a banda que se tornou uma das principais referências no rock nacional lança seu catálogo em formato digital nesta sexta-feira (17/4). O primeiro disco disponibilizado pelo Terra Sonora é Legião Urbana (1985) que possui canções como Ainda É Cedo e Será, clássicos do grupo.

    » Ouça o 1º disco da Legião Urbana no Sonora
    » Confira letras da banda

    Sendo uma das últimas bandas a ter suas músicas digitalizadas de forma legal, os integrantes remanescentes Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá explicaram ao Terra como se deu esse processo. "A questão da banda se complicou um pouco na tomada de decisões. Ficamos partidos, de certa forma", diz Dado sobre a morte de Renato Russo, em 1996.

    Confira a entrevista completa:

    Como foi esse processo? Como vocês chegaram nessa resolução para lançar esse catálogo da Legião Urbana em formato digital?
    Dado - Acho que é uma tendência natural das gravadoras tentarem comercializar novamente a música. Acho que veio na hora que tinha que vir. De qualquer forma, abriu o acesso para um monte de gente poder conhecer a obra e ter a possibilidade de entrar nesse universo da Legião Urbana da forma mais fácil.

    Bonfá - Hoje as gravadoras têm seu próprio ritmo. Um elefante branco se arrastando em um mar de lama no mundo e no Brasil. Imagina o tempo que eles levam. Todo mundo acaba indo pra esse caminho.

    Dado - A questão da banda se complicou um pouco na tomada de decisões. Ficamos partidos, de certa forma. Enfim, a questão de fazer outras coisas da vida também te dá outras prioridades. Também a estrutura da gravadora tentando se reencontrar neste universo.

    Neste ponto, sendo a Legião uma das últimas bandas a ter seu catálogo disponibilizado da forma digital, você acha que seguir o padrão da internet se tornou inevitável?
    Dado - Imagina. É um caminho sem volta, irreversível. Eu sou totalmente a favor de achar caminhos para regularizar e regulamentar. Achar maneiras de pagar o compositor, o artista e o produtor. Achando um resultado para essa equação, a coisa vai embora. Mas a internet só também não é a solução, é mais uma ferramenta.

    Bonfá - É louco falar isso. A Legião Urbana era a única banda que não estava no universo digital nos negócios. Quando eles falaram de fazer a comercialização, a primeira coisa que falei era que precisávamos de um site.

    Vocês chegaram a conversar se acontecerá algum evento para marcar isso? Algum show, tributo ou reunião?
    Dado - Ainda não. Vamos caminhando devagarzinho. As portas já se abriram. Criamos um site, finalmente um site oficial onde o público vai trocar informações e conhecer mais a banda.

    Os fãs da Legião Urbana tinha essa lacuna de ter um site oficial, um reduto na internet, não é?
    Dado - A gente não tinha essa noção corporativa de jeito nenhum. De certa forma pagamos por isso. Por chegar tão tarde sem um site. A verdade é que depois da partida do Renato não fazia mais tanto sentido.

    Bonfá - Site da Legião, não-oficial, tem um monte. O problema é que o nome da Legião não está no meu nome e nem do Dado, então tudo a gente precisa conversar com a família do Renato. Não temos autonomia nenhuma. É muito complicado administrar essas coisas. A Legião Urbana não existe mais, acho que importante é fazer uma ponte entre os fãs internautas.

    Você acha que a internet tem esse papel pra democratizar a música e a informação?
    Dado - Acho que o suporte vai ficar obsoleto. CD vai virar coisa de colecionador. Para carregar a massa acho que a rede vai dominar. As pessoas vão baixar música pelo telefone, em qualquer lugar do mundo. A facilidade e a democratização do negócio chegaram, agora vamos ver como isso vai acontecer realmente. Tanto em termos de divulgação quanto cobrança, porque o pessoal não está a fim de pagar. Tem que existir dentro da cultura do brasileiro a vontade de voltar a pagar com música. Aquilo custa.

    Bonfá - No Brasil ainda não existe comércio eletrônico. Engatinha. Ainda não se tem o hábito. Pra mim essa coisa de pirataria e baixar música, passam por aquelas coisas que eu vejo e o que eu acho certo. É roubo. Você não passa em uma banca de fruta sem dinheiro e rouba a fruta. Está tudo errado.

    Dentro desse volume de artistas que brotam na internet todos os dias, você acha que sai alguma qualidade?
    Dado - É difícil avaliar a questão qualitativa. São momentos diferentes. Existem tantas coisas boas como coisas péssimas também. Você entra no MySpace, por exemplo, que também é uma rede, mas tem algum tipo de filtro pra você não ficar totalmente perdido. Ainda não está ali inserido no mercado.

    Hoje existe até esse caminho inverso. O artista atinge o mainstream sem o caminho da gravadora
    Dado - Na verdade eu sinto falta desse filtro. Senão eu acabo perdendo muito tempo. Pra mim esse filtro é algum amigo, um jornalista, escritor, algum blog. Tem que filtrar. E nesse ponto eu estou disposto a pagar para ver se realmente é bacana.


     

    Redação Terra
     
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