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Música
Sábado, 21 de agosto de 2004, 17h54 
Ravi Shankar homenageia Gandhi em novo CD
 
Reprodução/Divulgação
Ravi mostra lirismo e agilidade nesses hinos de louvor
Ravi mostra lirismo e agilidade nesses hinos de louvor
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Para a maioria das pessoas, talvez, Ravi Shankar seja apenas um elemento na fase mística dos Beatles. Ou ainda, para os mais contemporâneos, seja o nome do pai da cantora Norah Jones, sobre quem ela tem horror de falar em público. O certo é que, antes de se tornar amigo/guru/professor de George Harrison ou ser citado em todas as matérias sobre Jones, Shankar já era considerado o maior tocador de cítara do mundo, dono de técnica absoluta sobre o instrumento milenar indiano de 18 cordas. Prova disso está no recém-lançado CD Homage to Mahatma Gandhi, onde ele presta seus respeitos ao líder pacifista indiano assassinado em 1948.

Este disco confirma que Shankar, aos 84 anos, é mesmo o grande embaixador da música indiana, embora as três peças que apresente tenham uma conotação um pouco mais erudita do que o convencional. Seu lirismo e agilidade, no entanto, continuam presentes nesses hinos de louvor, executados com participação de instrumentistas de tabla e tanpura. Homage to Mahatma Gandhi tem uma história curiosa. Poucos dias depois da morte de Gandhi, Ravi Shankar estava se apresentando ao vivo numa rádio de Bombaim quando o locutor perguntou se ele poderia tocar alguma coisa em homenagem ao líder político. Num momento de inspiração, Shankar compôs, ali, na hora, Raga Mohan Kauns, a peça de 24 minutos que abre o CD. Raga Gara (17 minutos) e Tala Farodast (quase sete minutos) vieram algum tempo depois.

O som de Ravi (que na cultura indiana significa sol radiante) fala de paz, amor e esperança, temas ligados ao hinduismo que se incorporaram ao movimeno hippie, quando ele se tornou mais popular no Ocidente. Ao longo de uma carreira de mais de 64 anos, ele vem sendo um porta-voz da cultura do seu país, um gigante da música internacional. Foi Shankar quem apresentou a cítara a George Harrison e influenciou de modo irreversível a sonoridade dos Beatles, participou dos memoráveis Festivais de Woodstock, Monterrey e Bangladesh, este último organizado por Harrison, em 1971.

Criativo, Ravi compôs várias trilhas sonoras para balés, óperas e filmes, incluindo o longa Ghandi (1982), com Ben Kingsley no papel-título. Desde 2001 que Shankar vem evitando fazer shows grandes em turnês internacionais, mas abriu uma exceção para marcar presença no belo Concerto para George, realizado em novembro de 2002, com participação de Paul McCartney, Ringo Star, Tom Petty e Eric Clapton.
 

Correio da Bahia
 
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