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Música
Sábado, 10 de julho de 2004, 11h06 
Fernanda Abreu estréia selo torcendo pela paz
 
Hagamenon Brito
 
Divulgação
Fernanda Abreu atirando flores
Fernanda Abreu atirando flores
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A cantora Fernanda Abreu, 42, estréia selo próprio com o CD Na Paz, que tem participação especial de Martinho da Vila e Jorge Ben Jor.

Quatro anos depois de Entidade urbana, a cantora e compositora carioca Fernanda Abreu, 42, reinventa a sua estética (samba funk) e, empunhando armas de cujos canos brotam flores, vestida com calça de guerrilha e blusa com coração vermelho estampado, lança o álbum Na Paz. Mensagem pacifista com símbolo dual (guns e roses), aparentemente contraditório? Qual é, garota sangue bom?

"Pensei nessa contradição quando estava concebendo a capa e o encarte, mas eram necessários os símbolos de guerra. Se aparecesse vestida de branco, deitada na grama, estaria me comunicando apenas com um público reduzido, pacifista. Com a arma, um símbolo também fálico, tenho comunicação imediata. Estou dizendo: Olha o que faço com as armas de vocês, atiro flores", explica, por telefone.

A mãe de Sofia e Alice sempre gostou de símbolo, algo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui outra coisa - ou seja, é complexo por natureza. Da sonoridade às letras, passando pela arte gráfica do marido Luiz Stein, Na Paz dialoga com vários códigos ao mesmo tempo: paz, violência, família, amor, Brasil, África, samba, funk, hip hop, eletrônica, violão de sete cordas.

Duas faixas do CD são básicas para entender Fernanda Abreu versão 2004: Brasileiro e Eu Vou Torcer. A primeira é uma adaptação que a cantora fez de Angolê, do africano Teta Lando. Com participação especial do mestre Martinho da Vila, citação das Bachianas Brasileiras (Villa Lobos) e orquestração sofisticada de Eumir Deodato regida por Jaques Morelenbaum, evoca uma identidade ingênua.

"Brasileiro segue em frente, seu caminho é só um/ Esse caminho é difícil, mas traz a felicidade/ Esse caminho é difícil, mas traz a liberdade/ Se você é branco isso não interessa a ninguém/ Se você é mulato isso não interessa a ninguém/ Se você é negro isso não interessa a ninguém/ O que interessa é sua vontade de fazer o Brasil melhor/ Um Brasil verdadeiramente livre/ Um Brasil independente", diz a letra.

Pinçada do repertório da obra-prima A Tábua de Esmeralda (1974), de Jorge Ben, e primeiro single do CD, Eu Vou Torcer é um banho de positividade e ganhou toque flower power indiano dado por cítara e tablas: "Eu vou torcer pela paz/ Pela alegria, pelo amor/ Pelas coisas bonitas/ Eu vou torcer, eu vou.../ Pelo bem-estar/ Pela compreensão/ Pela agricultura celeste/ Pelo meu irmão...".

"Falar em Brasil independente em tempos de globalização é mesmo ingênuo, assim como acreditar na paz geral. A paz universal é inatingível, mas o que nos move, o que faz sentido, é a procura por ela, o equilíbrio em meio à tensão do desejo humano. Acho que o disco tem essa postura positiva, esperançosa, mas, para reforçar isso, tem que falar também de desesperança, de violência", diz.

Na Paz é o primeiro disco do selo de Fernanda, Garota Sangue Bom, distribuído pela EMI, e foi gravado no estúdio da cantora, o Pancadão, que fica a poucos metros de sua casa, no Jardim Botânico. "Eu devia ainda dois discos à EMI: rescindi o contrato e virei parceira. Entreguei o CD pronto, com capa e tudo. O futuro das gravadoras é esse: cuidar apenas do marketing e da distribuição".

A torcedora doente do Vasco da Gama - ela pediu permissão a Jorge Ben Jor para não cantar o trecho original de Eu Vou Torcer que dizia "eu vou torcer pelo Mengão" - tem planos de gravar projetos underground pelo seu selo: "Propostas indecorosas que eu não faria a uma grande gravadora (risos), como um CD de dub, de DJs, algo assim. E penso em lançar o novo disco de Fausto Fawcett".

Poeta #1 do underground de Copacabana, Fawcett reabastece o repertório da musa com mais uma letra bacanuda sobre o caos do Rio, Padroeira Debochada: "No centro da luxúria mundo-cão/ dessa cidade sucatinha balneária/ Totalmente faveluda e suburbosa/ A classe média emergente e cafonuda/ é totalmente sacudida por pobreza, putaria/ e bandidagem de insolência detergente/ Desafiando o social com violência bem lasciva/ Provocando a tradição da sapiência divertida...".

Fernanda Abreu é um dos nomes que fazem diferença no pobre pop brasileiro. Não é uma cantora no sentido restrito ou clássico. É, sim, uma artista moderna que trabalha em cima da marca própria, novas experimentações pop, identidade brasileira a partir da vivência carioca e forma coletiva de criação e produção musical.

Em seu primeiro disco solo, Sla Radical Dance Disco Club (1990), a ex-vocalista da Blitz (grupo fundamental do rock brasileiro dos anos 80) fez um convite à dança ao misturar funk e disco music. Em SLA 2 - Be Sample (1992), recorreu aos samplers como ferramenta de composição e tornou-se uma das pioneiras do processo no país.

Deu dois passos à frente com Da Lata (1995) ao consolidar o samba funk e explorar ritmos brasileiros. Raio X (1997) e Entidade Urbana (2000) foram álbuns de atualização e afirmação mas, no caso do último, evidência também de que a cantora precisava explorar outras possibilidades (ou matar, por saturação, a sua alma).

Com Na Paz, Fernanda Abreu reconstrói sua identidade e reacende o seu brilho. A ênfase percussiva do samba funk cede lugar a uma musicalidade mais complexa, quase downtempo em sua melancolia esperançosa, e cujo fio condutor é a presença marcante do violão de sete cordas do produtor, arranjador e parceiro Rodrigo Campello, 43.

E, para isso, na melhor jovem tradição dos coletivos de hip hop, a cantora cercou-se de Martinho da Vila, Mart'nália, Jorge Ben Jor, Jr. Tostoi, Davi Moraes, Eumir Deodato, Jaques Morelenbaum, Liminha, DJ Nuts, Ivo Meirelles, Jovi Joviniano, Fausto Fawcett, Pupilo, Dengue, Lúcio Maia, Kassin, Domenico... Garota sangue bom.


 

Correio da Bahia
 
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