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 Uso excessivo de aparelho MP3 pode comprometer a audição |
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"Atenção! Som alto pode prejudicar a audição", alerta o manual de um aparelho de MP3 em um recado que muitas vezes passa despercebido por crianças e jovens que procuram extrair ao máximo a potência sonora do equipamento. É o caso do programador Eugênio Grigolon, 22 anos, que ouve diariamente cerca de oito horas de música com o fone plugado no ouvido e, como ele diz, com o volume "no último".
Embora saiba que o áudio elevado pode resultar em perda auditiva a médio-longo prazo, quem dispõe de um player de MP3 não abre mão do prazer musical turbinado por volumes altos.
"Quando eu me empolgo, gosto de colocar o som no máximo, seja no trabalho ou no carro", explica Grigolon, que sempre busca novos álbuns na rede para renovar a playlist de seu iphone ou gravar novos CD´s. Entusiasmado por som, ele ainda carrega um potente equipamento em seu carro.
Com tamanha exposição aos sons, Grigolon nunca foi ao médico para checar a saúde auditiva e admite que só fará isso caso venha a sentir alguma dor.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil tem 15 milhões de deficientes auditivos e grande parte deles, além de não saber que tem a doença, acha que o mal acontece apenas na velhice. "Eu falo e é a minha mãe que não escuta", brinca Grigolon.
Karenine Carvalho, 24, encontra na música a melhor companhia para o trabalho. No escritório, ela utiliza os headphones durante todo o dia e não acredita que a longa exposição tenha prejudicado seu sistema auditivo. Mas ao ser questionada se desenvolveu algum sintoma de deficiência (como a indagação "hããã?", feita seguidamente durante uma conversa), ela refletiu e disse: "hum, acho que sim. Mas todo mundo tem isso, não?".
Karenine e Grigolon são exemplos de jovens responsáveis que buscam fazer um bom currículo sem deixar de lado os prazeres da juventude. Com a facilidade no acesso aos hits musicais, enriquecem as experiências de trabalho e de vida com as trilhas sonoras favoritas. Uma rotina comum a muitas pessoas, mas que carece de cuidados.
Na contramão da corrente, especialistas procuram alertar sobre o perigo da exposição prolongada aos sons elevados. Com o tema "MP3 players - abaixe o volume ou diminua para sempre a sua audição", a Sociedade Brasileira de Otologia promove a quarta edição da Campanha Nacional de Saúde Auditiva para incentivar o uso mais saudável dos tocadores de música.
Para se ter uma idéia, os aparelhos eletrônicos são os principais vilões da perda de audição, já que emitem sons que podem chegar a 110 decibéis, o equivalente a estar próximo a uma turbina de avião ou muito perto de uma serra elétrica.
"Os jovens não relacionam uma coisa que é prazerosa com algo que pode
causar danos à saúde. A gente sabe que é uma fase meio rebelde, mas daqui uns 10 ou 15 anos ele vai notar a perda auditiva. A simples sensação de estar com os ouvidos tampados após uma festa, por exemplo, é um indício", alerta o otorrinolaringologista Ektor Onishi, coordenador da campanha.
"A surdez é uma doença invisível. Muita gente não se preocupa justamente porque ela não tem um sintoma aparente. Quando a pessoa começa a sentir dificuldades, geralmente o quadro já está instalado e não há muito o que ser feito", completa Onishi.
Nos últimos anos, músicos como Phil Collins e Eric Clapton admitiram que têm deficiências auditivas devido à intensa exposição ao som. No Brasil, o vocalista da banda Jota Quest, Rogério Flausino, reconheceu que perdeu 30% da capacidade de ouvir. Para Onishi, "o problema deles foi algo positivo para o controle da doença, já que mais pessoas passaram a se preocupar com a surdez".
Para atenuar o problema, algumas iniciativas governamentais limitaram a potência dos players, como na Alemanha, Canadá e França. No caso dos fabricantes, alguns já incorporaram uma mensagem de aviso ao usuário caso ele ultrapasse um nível seguro para o volume do aparelho.
"O primeiro passo é avisar o usuário. Não é uma medida efetiva para todo mundo, mas ele tem que saber que aquilo pode fazer mal. A decisão vai de acordo com a consciência de cada um. É uma escolha pessoal de cada um", disse Onishi.
Ele compara os avisos de volume alto aos de cigarro. "Ao menos a pessoa tem a informação de que aquilo faz mal. O que ela vai fazer ou deixar de fazer é uma questão de livre arbítrio".
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