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Música
Sábado, 8 de novembro de 2008, 14h07  Atualizada às 14h11
Maroon 5 faz som 'vintage' para público jovem no Rio
 
Marcio Nunes/Photo Rio News
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Os gritos da platéia por conta de um alarme falso, que parecia indicar que o show iria começar, foram suficientes para abafar o locutor que anunciava o show do grupo Queen com o cantor Paul Rodgers, marcado para o dia 29, no mesmo local, a HSBC Arena, na Barra da Tijuca. É provável que a maior parte dos adolescentes que começavam a encher o espaço por volta das 22h para assistir ao show do Maroon 5, nesta sexta-feira, nem saiba quem é o Queen e muito menos o célebre vocalista do Bad Company.

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As espinhas pipocavam. Eram meninas em sua maior parte. Muitas em grupos com cerca de cinco para apenas um garoto. 'Casaisinhos' e pais acompanhando também se destacavam. A despeito de fazer um som retrô, calcado na soul music dos anos 70, e abusarem dos timbres e instrumentos vintage, esse é basicamente o público do grupo americano, de Los Angeles.

"O pessoal todo da comunidade oficial Maroon 5 Brasil está aqui", conta Leonardo Gonçalves, 19 anos. "Nós nos reunimos todo mês em shoppings, ou na casa de um ou de outro, para trocar novidades e ouvir nosso grupo predileto".

"Cheguei às onze da manhã, os portões só abriram sete da noite, mas eu estou aqui feliz e realizada", celebra Adriana Coelho, 15, na primeira fila antes da área VIP e com a mesma camiseta 'oficial' que toda a galera do Orkut em sua volta.

Quando Adam Levine (vocal), James Valentine (guitarra), Mickey Madden (baixo), Jesse Carmichael (teclados) e Matt Flynn (bateria) entraram no palco já era 22h30. A abertura tem um ar triunfal. Em cima do som gravado de uma ópera, enfileiram três de seus maiores sucessos: This love, If I never see your face again (esta com Rihanna na versão original) e Makes me Wonder.

Meio que como uma estranha no ninho, Juliana Martins, 35, filha dos anos 80, gostava do groove. Nas músicas menos conhecidas, parecia perdida, mas não perdia o bom humor.

"O vocalista é um Dinho, do Capital Inicial, melhorado, e o guitarrista é a cara do Humberto Hessinger", compara. "É a Festa Ploc e eu não sabia."

Adam 'Ouro Preto' Levine foi ovacionado quando deu seu primeiro "muito obrigado" em português. Nem precisava. O público parecia entender bem quando ele se comunicava em inglês - ou naquela altura já estava em transe suficiente para responder a qualquer chamado. O vocalista seguiu falando que o português era uma língua muito difícil, e arriscou um "nóis amaumus voxêis". Falou também que invejava a bunda dos brasileiros, e arrancou gargalhadas quando disse que os americanos têm bunda pequena. Muitos "muito obrigado" depois, pediu para todos acenderem os celulares. O público correspondeu, e fez um belo coral em Won't Go Home Without You.

Destaque também para a bandeira do Brasil que Levine ganhou do pessoal da comunidade da Internet, toda assinada pelos membros e que ficou pendurada no teclado durante o resto da apresentação. Outro momento marcante aconteceu quando ia começar Sunday Morning. Todo mundo começou a cantar, o que surpreendeu o cantor. Ele olhou para Flynn na bateria (apresentado como fã de Ringo Starr e John Bonham), começou a rir e continuou cantando de onde estava.

Assim como o Queen e o Paul Rodgers lá no início, o público também pareceu não reconhecer quando o grupo citou Trenchtown Rock, de Bob Marley, entre uma música e outra. Alguns poucos responderam cantando quando a citação foi de In the air tonight, de Phil Collins, mas todos reconheceram quando o grupo puxou uma versão 'bossa nova de gringo' de Wicked game - mais por eles já fazerem o medley em suas apresentações mundo afora do que pela versão original de Chris Isaac -, antes de entrar em She will be loved, a última do show antes do bis.

Muito loucos
Nesta quinta-feira, os músicos do Maroon 5 estiveram nam festa do desfile da 284, no Claro Rio Summer, na boate The Week, no Centro.

"Eles são muito loucos, muito exóticos", classifica a fã Luisa Lobato, que estivera no desfile na véspera.

Mas nem a loucura, nem o exotismo, nem a simpatia durante o show foi suficiente para deixar um gostinmho de frustração ao final, quando se recusaram a dar qualquer aceno para as dezenas de fãs que foram implorar seus quinze minutos de fama com os ídolos na entrada do camarim. Era muito hormônio para levar um não como resposta. A decepção foi maior quando a atriz Fernanda Paes Leme passou direto pelos seguranças. Antes do show terminar, a celebridade era só alegria, mas não conseguiu disfarçar certa falta de intimidade com a obra do grupo.

"Amei o show! Estava doida para escutar Sunday Morning e aquela outra que abriu o show que também é famosa", arrisca. "Eles são muito carismáticos, e demonstraram muito carinho com o Brasil. A gente gosta quando eles aprendem um pouco de português para falar com a gente."

Foi a segunda passagem do Maroon 5 pelo Brasil. Na primeira ocasião, em 2004, o hit This Love ainda começava a tocar incansavelmente nas rádios.

Depois de 1h10 de apresentação, eles voltaram ao palco para encerrar o show nesta sexta-feira com Harder to Breathe e Sweetest Goodbye, no bis, imprimindo uma passagem marcante, tanto para o público quanto para a própria banda, que deixou a entender que, pela experiência, valerá a pena voltar ao Rio.
 

JB Online
 
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