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 João Gilberto reclama com a produção do Carnegie Hall |
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João Gilberto precisou interromper a apresentação que estava fazendo no Carnegie Hall, em Nova York, na sexta-feira (18), para que a organização do Festival de Jazz JVC resolvesse problemas técnicos que estavam incomodando a lenda da bossa nova.
O Carnegie Hall, com sua acústica quase impecável, é o palco apropriado para o estilo marcante de João Gilberto, mas na sexta-feira apresentou alguns problemas técnicos.
Recebido com muitos aplausos pelo público, João Gilberto abriu o show com Acontece Que Eu Sou Baiano, de Dorival Caymmi. Logo em seguida, o músico, que é conhecido por insistir na perfeição técnica durante seus espetáculos, mostrou-se incomodado.
"Ajudem-me", pediu, indicando que não escutava nada através dos monitores colocados no palco. Os problemas persistiram enquanto João Gilberto apresentava dois clássicos de Tom Jobim, Corcovado e Samba de Uma Nota Só. Nem mesmo os aplausos acalmaram o músico. "É difícil para mim", declarou.
Após meia hora de show, João Gilberto abandonou o palco. Os técnicos da casa disseram que os microfones instalados pela equipe de João Gilberto antes do concerto eram incompatíveis com o sistema de monitores do Carnegie Hall e foram substituídos.
Após quinze minutos de interrupção, o músico retomou o show, com interpretações magistrais para canções como Bolinha de Papel (Geraldo Pereira). João superou uma série de obstáculos técnicos e encantou o público que lotou o Carnegie Hall com um show de duas horas de duração.
Gilberto fez seu primeiro show no Carnegie Hall em novembro de 1962, mas essa apresentação foi um desastre devido à caótica mistura de intérpretes brasileiros e um sistema de som deficiente. Sua estréia no Festival de Jazz JVC aconteceu em 1978, em um memorável encontro com o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd.
A apresentação de sexta-feira (18), foi a quarta oportunidade nos últimos seis anos que o público norte-americano teve para ver João Gilberto se apresentando no festival. Os ingressos se esgotaram rapidamente.
"O João Gilberto é um das últimas lendas vivas", expressou George Wein, produtor do festival. "Ninguém pode imitar ou copiar Joao Gilberto. Ele cria magia com sua música, e quando as coisas estão bem, o ambiente é como o de uma catedral", sustentou.
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