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Música
Sexta, 24 de outubro de 2008, 14h40 
Fagner diz que Gil nunca vendeu discos
 
Ricardo Schott
 
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Um cantor em luta contra o estado de acomodação geral dos medalhões da MPB. É assim que se define Fagner, que nesta sexta-feira comemora no Canecão 35 anos de carreira, com o DVD Raimundo Fagner ao vivo (que traz um show feito em 2000 em sua terra natal, Fortaleza, já lançado em CD duplo naquela época).

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O cantor afirma que o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, assim como vários outros artistas, nunca se preocupou com assuntos como a pirataria de CDs e a chamada PEC da Música - a proposta de emenda à constituição que concede imunidade tributária a CDs e DVDs, e que poderá fazer com que o preço dos produtos caia em até 40% - porque nunca vendeu discos.

Durante a semana, Fagner foi à Festa Nacional da Música em Canela (RS) para debater mais sobre o assunto, que tem mobilizado um pequeno grupo de artistas, gente como Leoni e Sandra de Sá ("dois guerreiros", diz ele).

"Gil sempre teve aquele complô dele com a Warner, com o André Midani (ex-presidente da filial brasileira da multinacional), que ninguém entende", reclama.

"Não sei quem é laranja de quem ali, porque o Gil faz o que quer na gravadora. E esse André Midani também é outro que fica aí defendendo rádio-pirata (referência a entrevista recente do executivo, que comentou que "rádios comunitárias são a mídia do futuro")".

Dizendo não conhecer o trabalho do novo ministro, Juca Ferreira, Fagner afirma que foi um erro Gil ter aceitado o cargo.

"O ministério acabou sendo uma nódoa na biografia dele. Eu o respeito muito como artista e nem quero criticá-lo, mas ele perdeu credibilidade e não precisava disso. Ele menosprezou uma série de ações que eu e nomes como o Carlos de Andrade (presidente da Associação Brasileira de Música Independente) fizemos com relação à PEC", afirma o cantor.

- Se Gil se meteu no ministério, mesmo sabendo que ia ganhar R$ 8 mil e que ia ter que aumentar o percentual da cultura, e ficou tanto tempo, é porque estava gostando.

O cantor, que desfruta de grande popularidade, se diz "eleito pelo povo", já que vendeu muitos discos durante a carreira e seus shows, mesmo nos maiores momentos de crise, sempre estiveram lotados.

Hoje, com crise geral no mercado fonográfico, o cantor afirma que, ainda que a fama sempre tenha lhe sorrido, sua solidão diante de determinadas causas é eterna. Fagner se declarou contra o desarmamento durante a campanha para o referendo de 2005, sendo bastante criticado por colegas.

E vem cobrando, ultimamente, mais mobilidade da classe artística em relação às suas causas.

"Mas não vou ficar conscientizando medalhão que não se preocupa com a própria carreira. Hoje, nós, artistas, estamos todos no mesmo Titanic. E o meio da MPB sempre foi cheio de egos, de panelinhas de intelectuais, de gente que quer aparecer em coluna social. Só que vai saber se virar melhor quem tem mais mobilidade, quem entende mais o que está acontecendo", garante.

- Falo o que ninguém tem coragem de falar. Todos têm medo de diretor de gravadora, diretor da Globo, e nunca fui escravo dessa gente.

Apesar das críticas que sempre disparou às gravadoras e ao meio artístico, Fagner teve uma carreira regular dentro do meio fonográfico. Após discos nas gravadoras Philips (hoje Universal) e Continental (hoje Warner), passou quase 20 anos ligado às gravadoras CBS e RCA - que, hoje, juntas, atendem pelo nome de Sony BMG.

Hoje, quase todo seu catálogo (parte dele, de 1976 a 1985, reeditado numa box set em 2005) está nessa empresa.

"Na junção das duas gravadoras, sou o artista mais importante da casa, ainda que eles nem achem isso", acredita.

- E além das minhas produções pessoais, tenho mais de 50 produções que fiz na antiga CBS pelo selo Epic, que reativei nos anos 70. Se eles se debruçarem um pouco e pararem de ficar inventando, vão descobrir coisas ótimas. A CBS sempre foi uma gravadora tradicional, tem um perfil que vem lá de trás. Falta esse pessoal saber o que tem nas mãos na gravadora.

Historicamente, muitos atribuem aos tropicalistas a grande virada da música popular brasileira, nos anos 60. Já Fagner credita a ele e colegas como Elba Ramalho e Zé Ramalho as grandes mudanças no mercado.

"Foi esse movimento, que fizemos depois dos anos 70, que trouxe a música popular para o povão. Nós vendíamos discos, e essa história nunca foi devidamente contada. Fomos o mastro da MPB. Mas eu é que não vou ensinar padre a rezar missa", vocifera o cantor, que credita aos baianos o fato de seu primeiro álbum, Manera fru fru manera (1973) não ter sido trabalhado pela antiga Philips.

"Eles mandavam lá, comandados pelo (empresário) Guilherme Araújo. E nenhum baiano deve ter nem ido ao enterro dele, quando morreu", completa.

Para o show desta sexta-feira, Fagner - acompanhado pelos músicos Adelson Vianna (teclados), Edmundo Junior (baixo), Ricardo Pontes (baterista), Hoto Junior (percussão), Marcos Vinni (teclado) e Cristiano Pinho (guitarra) - não adianta o repertório, mas diz que boa parte dos hits está lá.

"O show vai arrebentar. Separei muitos sucessos do DVD, mas incluí muitas novidades também", diz o cantor, que prepara disco novo, independente, a ser negociado com alguma gravadora.

- Estou só e feliz. A música brasileira está morrendo por causa da indústria, que não sabe trabalhar. Que explicação dão para o fato de a indústria de CDs virgens, que alimenta a pirataria, ter crescido mais do que a nossa?
 

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