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Música
Terça, 25 de maio de 2004, 07h28 
Madonna faz crítica a Bush em show pacifista
 
AP
Madonna surpreende o público com show tecnológico
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Madonna fecha um ciclo, enterra o sexo e finalmente alfineta George W. Bush na Re-Invention Tour. A pop star, que fez o primeiro de uma série de 52 shows na noite desta segunda em Los Angeles, mistura Express Yourself com Crazy for You, faz versão jazz de Deeper and Deeper e levanta o ginásio com uma ótima interpretação de Like a Prayer. O show também é uma intensa propaganda da Kabbalah.

Veja as fotos!

O espetáculo de duas horas começa com uma adaptação em escala gigantesca das instalações artísticas criadas pelo fotógrafo Steven Klein na Deitch Gallery, de Nova York, no ano passado. Ao som de um remix de Justify My Love batizado de The Beast Within, grande telas de TV movem-se para mostrar as imagens mais intensas de Madonna, editadas para darem a impressão de espasmos.

De um elevador do centro do palco, ela aparece aos primeiros acordes de Vogue. Segue-se um dos mais emocionantes números já produzidos pela cantora: a coreografia foi modernizada, mas não perdeu os traços da dança que inspirou o hit, e os vídeos em computação gráfica têm efeito hipnótico. O figurino é uma versão anos 2000 dos usados em uma apresentação da cantora no Video Music Awards, da MTV, em 1991.

Seguem-se Nobody Knows Me, em que a esteira rolante é usada pela primeira vez, e Frozen, com ótima performace vocal dela e vídeos de Chris Cunningham.

American Life começa com explosões e cenas de guerra, até que uma estrutura de metal suspensa desce do alto do ginásio e vira uma passarela sobre o público. Há um desfile de moda de temas religiosos (a idéia original do vídeo que foi engavetado no ano passado, em atitude conservadora de Madonna) e coreografias que evocam a tortura nos presídios do Iraque.

É curioso observar que a versão 2004 Madonna não choca com referências sexuais, mas por ter coragem de apontar uma opinião política minimamente dissonante. Em época de conservadorismo americano, ver a cantora dançar com armas na mão em Express Yourself tem cara de transgressão.

Entre os highlights estão os "oldies": ela pega a guitarra para cantar Burning Up e Material Girl, que, depois de anos banida do repertório, ganha ironia por conta do momento espiritual da pop star.

A atual onda de cabaré é a inspiração para Hanky Panky e uma boa versão jazz de Deeper and Deeper. Segue-se Die Another Day, que termina com ela sendo instalada em uma cadeira elétrica. O número é gratuito e emenda com uma versão de The Lament, da trilha sonora de Evita, com a qual é difícil de se envolver.

Depois de um videoclipe de Bedtime Story, Madonna volta ao violão para cantar Nothing Fails, mas esquenta mesmo é com a coreografia irresistível de Don't Tell Me, que troca o tema caubói por uma inspiração francesa. O grande momento antes da seqüência final é Like a Prayer, até hoje uma das melhores músicas da cantora. Além de ela estar cantando bem, um coral black aparece nos telões em belas imagens feitas ao ar livre. O ginásio quase entra em transe.

Logo depois acontece o momento dispensável da apresentação: a fraca Mother & Father é seguida pelo inexplicável cover de Imagine, de John Lennon, que ainda ganha projeção de imagens de crianças famintas de vários lugares do mundo. No final, há uma propaganda do programa Espiritualidade para Crianças, promovido pelo Centro da Kabbalah.

Passado o susto, é a vez de Into the Groove, que ganha a versão tipo jingle da Gap e participação virtual de Missy "Misdemeanor" Elliott. Papa Don't Preach que, ao contrário dos rumores, não tem dançarinas grávidas, é divertida, enquanto Crazy for You é uma homenagem de Madonna para "todos os fãs" que ficaram com ela nesses 20 anos.

Encerrando o espetáculo vêm a lota-pista Music e o eterno clássico de encerramento dos shows dela, Holiday, que também vem com mensagem pacifista com as bandeiras de todo o mundo. O final apoteótico inclui, de novo, a passarela suspensa e a surpresa de que o palco inteiro vai se elevando.

Enquanto o público, atônico, tenta entender o fato de que não há bis, uma forte vaia engrossa por conta de uma gravação de Bush anunciando o início da guerra do Iraque.

A Re-invention é principalmente um marco na utilização de vídeos como cenário em um show pop: a movimentação das telas e a integração das coreografias e elevadores às imagens projetadas são de uma sofisticação e frescor impressionantes. Se os figurinos desta vez não têm a importância das épocas da Blonde Ambition Tour, hoje a tecnologia é o grande trunfo de Madonna.
 

Redação Terra
 
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