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Música
Sábado, 16 de agosto de 2008, 09h49  Atualizada às 14h13
Morre o compositor Dorival Caymmi aos 94 anos
 
Fernando Vivas/Agência A Tarde/Futura Press
Dorival Caymmi deixa centenas de composições
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O cantor e compositor Dorival Caymmi, 94 anos, morreu na manhã deste sábado de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos, em sua casa no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro.

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» Lima: Caymmi tinha "técnica intrincada" de composição

Caymmi lutava contra um câncer renal. Segundo parentes entrevistados pela , seu estado de saúde se deteriorou quando a mulher, Stella Maris, entrou em coma, há quatro meses.

O velório será realizado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e o enterro está previsto para domingo à tarde, no cemitério São João Batista.

Compositor intimamente ligado à Bahia, Caymmi acumulou poucas composições para os mais de 60 anos de carreira. São pouco mais de cem canções. Quase todas, porém, são clássicos da música brasileira, como O Que é Que a Baiana Tem?, Rosa Morena, O Samba da Minha Terra, Maracangalha, Marina, Só Louco, O Mar.

Nascido em 30 de abril de 1914, seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros.

Em Salvador, ele realizou vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio. Até que, como compositor, ganhou um concurso de músicas de Carnaval em 1936.

Dois anos mais tarde foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador.

Mas, incentivado pelos amigos, ele resolve enveredar para a música. Primeiro, tem sua música O Que É Que a Baiana Tem? incluída no filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda.

Em seguida sua música O Mar foi usada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em diante seu prestígio se ampliou. Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris (cujo nome de batismo é Adelaide), com quem se casou em 1940 e permaneceu casado até sua morte.

Seus filhos também são músicos. Nana é cantora, Danilo é cantor e flautista e Dori, cantor e violonista, com sólido trabalho como arranjador.

As canções de Caymmi podem ser divididas em três conjuntos: os sambas urbanos, os sambas-canções românticos e as canções praieiras. O primeiro grupo, embora normalmente tenha tom alegre, muitas vezes trata de temas como a saudade da terra natal e a vontade de abandonar a cidade grande.

Entre os sambas-canções, há clássicos como Marina, Dora e Só Louco.

As canções praieiras normalmente versam sobre o mar, seus mistérios e a morte.

Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou mais de 50 discos. Quase todos com composições próprias, apesar de ter escrito poucas canções.

Sua baixa produção musical chegou a render anedotas, em reforço ao estereótipo do baiano calmo e preguiçoso. Conta-se que Adalgisa teria levado meses para ser escrita, apesar de ter apenas três versos.

No fim dos anos 50, Caymmi foi um dos compositores da Velha Guarda que teve trânsito entre - e cuja música influenciou - os músicos da Bossa Nova. Sua música também serviu de referência para os tropicalistas e mesmo para artistas de gerações posteriores, como os Novos Baianos.

No decorrer dos anos 70, Caymmi ainda assumia riscos musicais. O disco Caymmi, de 1972, apresenta forte influência do candomblé. No ano seguinte, com Caymmi Também é de Rancho, adaptou suas canções para marcha-rancho (segundo ele, apenas para cumprir contrato).

A partir dos anos 80, concentrou-se em fazer poucos shows, algumas vezes acompanhado de seus filhos.
 

Redação Terra
 
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