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Música
Quarta, 30 de julho de 2008, 16h15  Atualizada às 18h28
Gilberto Gil: "só a Internet dá a sensação de liberdade da Tropicália"
 
Kamille Viola
 
Divulgação
Gilberto Gil sempre foi um entusiasta da tecnologia
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Às voltas com o Banda Larga Cordel, seu mais recente disco, Gilberto Gil aporta dia 4 de agosto no Vivo Rio: será a grande atração do 2º Prêmio TDB!, em seu primeiro show brasileiro da turnê, depois de passar pela Europa, Estados Unidos e Canadá. Desde Quanta (1997), Gil não lançava obra só com músicas inéditas.

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O novo álbum vem acompanhado do eterno namoro do compositor com a tecnologia, visível em sua obra desde os tempos da Tropicália. "O Tropicalismo falava de fragmentação e a linguagem da Internet é toda fragmentada. Todas as bases da Internet estavam ali", comenta Gil.

"Tudo o que vislumbrávamos hoje em dia é possível. O sonho tropicalista é real, ele se realizou", afirma.

Se ele diz que naquela época sonhava com uma geração "perfeita", hoje se contenta com o possível, o que teria tudo a ver com seu trabalho no governo.

"A política trabalha no mundo das reais possibilidades, com as limitações reais das pessoas. E aí, portanto, nesse campo, as frustrações são menores, porque são no mundo real, com limites impostos pela lei, regulação, interesses conciliados. Abrir mão de parte dos interesses é condição primária da política", explica ele.

Gil se diz satisfeito com sua gestão como ministro da Cultura. "O ministério é bem avaliado, não tenho do que me queixar", diz Gil.

Se fosse chamado novamente para um cargo político, ele aceitaria, mas depende de quem chamar e para quê. A solução para as principais questões que afligem a população, segundo ele, é o debate.

"Temos que discutir violência, milícias, polícia, drogas, permissividade, pedofilia e os consensos vão se fazendo em torno do que as pessoas querem", defende Gil.

Tanto debate reacendeu a chama criativa do artista, que andava quase adormecida nos últimos anos. Assim nasceu Banda Larga Cordel, concebido já inserido no mundo atual, que caminha para o fim do formato do disco como conhecemos: Gil garante que nem sequer imaginou em que ordem as 16 músicas viriam.

"Quem definiu foi o produtor, Liminha. As pessoas vão fazer discos de cinco faixas mesmo", analisa. E Gil, também faz "discos de cinco faixas"?

"Atualmente, nem ouço discos, nem baixo, nem tenho iPod. Sou meio dinossauro, tenho meu walkman, discman, mas, ao mesmo tempo, meus filhos, minha mulher e amigos têm iPod e me mostram coisas o tempo todo", explica ele.

Algo curioso quando se trata de um dos mais notórios entusiastas das novas tecnologias no País. Ainda na época da Tropicália, tratou do assunto em músicas como Cérebro Eletrônico (1969) e Cibernética (1974).

Nos anos 90, lançou Parabolicamará (1991) e o álbum duplo Quanta (1997). Em 1996, foi o primeiro a lançar uma música em tempo real na rede, Pela Internet. "Naquela época, eu achava que as transmissões online em tempo real, som, imagem e movimento, ainda demorariam uns 20 anos para acontecer", espanta-se Gil.

No entanto, ele acredita que o CD ainda sobreviva uns 15, 20 anos no Brasil. "Existe um residual de compromisso com o modelo anterior que vai ser necessário manter ainda. Por causa da questão social, muita gente vai demorar a ter computador, televisão digital", analisa.

"Mas o celular está chegando rápido. Você vai às tribos e o celular está lá. Fui a uma aldeia indígena no Amazonas, uma população ribeirinha com dez casas, e os meninos tinham celular. É possível que estejam baixando música daqui a dois, três anos", calcula o Gilberto Gil.

Gil fala de seu pior momento no governo: "a crise geral com o mensalão foi difícil. Não era particularmente ligado a mim, mas todas as pessoas do governo se sentiram atingidas. Os outros achavam que era um saco de gatos, todos farinha do mesmo saco", diz ele, que saiu fortalecido da situação.
 

O Dia

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