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Música
Sábado, 26 de julho de 2008, 18h47  Atualizada às 18h49
Maria Bethânia diz que o sucesso foi surpresa
 
Julio Biar
 
Márcio Nunes/Photo Rio News
Maria Bethânia vendeu 800 mil cópias do disco  Álibi
Maria Bethânia vendeu 800 mil cópias do disco Álibi
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Em 1978, quando ninguém pensava em CDs, a pirataria não assombrava as gravadoras e Roberto Carlos reinava, soberano, Maria Bethânia vendeu impressionantes 800 mil cópias do LP (isso mesmo, um long play) Álibi - feito, até então, inédito e impensável para uma cantora brasileira.

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O repertório reuniu clássicos como Negue e Ronda e lançou Explode Coração, sedimentando a parceria de sucesso entre a intérprete e o compositor Gonzaguinha. Trinta anos depois, Bethânia ainda se espanta com a repercussão do disco. "Nossa, quanto tempo, não é? O repertório tocar como tocou foi sorte, não achei que seria esse sucesso todo", diz, modesta.

Dois anos antes, quando ainda era considerada uma cantora de elite, a baiana ganhou seu primeiro disco de ouro (100 mil cópias) pelo LP Pássaro Proibido. A faixa Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, bateu recordes de execução nas AMs e FMs de todo o país.

Mas o sucesso de Álibi marcou: "O clima de gravação era ótimo. Tudo que envolveu o disco foi bom demais, as canções, o show, lembrar de Negue, que era uma canção que eu conhecia desde menina".

O disco trazia, ainda, a gravação da proibida Cálice e duas participações em músicas que virariam clássicos da MPB. "Seria óbvio que eu gravasse um samba com Alcione e uma música do Chico (Buarque) com a Gal, mas como sou esquisitinha resolvi fazer o contrário", diz Bethânia sobre as gravações de Sonho Meu e O Meu Amor, respectivamente. "Quando eu recebi o convite de Bethânia para gravar, fiquei bestinha, por partir de quem partiu e pela música que é tudo, até hoje", diz a amiga Alcione.

O sucesso fez com que a fórmula fosse repetida nos discos posteriores. "Amei fazer o Mel porque tinha uma coisa calorosa, tinha o Wally (Salomão), um poeta que revirava o mundo. Mel era safadinho, mas quando chegou no Talismã já começou a dar errado, comecei a complicar as coisas para eles (a gravadora)", conta.

Hoje ela não acredita numa reedição daquele sucesso: "As coisas não se repetem, principalmente para o artista, que é movido pelo mundo. Não faria o mesmo disco, adoro ouvi-lo, mas não seria a mesma coisa".
 

O Dia

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