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Música
Quinta, 24 de julho de 2008, 14h48  Atualizada às 20h35
Melvins, maior inspiração de Kurt Cobain, toca em SP em setembro
 
Thiago Kaczuroski
 
Divulgação
Dale Crover, do Melvins, quase ficou famoso no Nirvana
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A banda americana Melvins é uma das atrações do Festival Orloff Five, que será realizado em São Paulo no dia 6 de setembro. Com mais de 25 anos de carreira e 16 discos no currículo, o grupo influenciou diversos artistas e era considerado por Kurt Cobain, líder do Nirvana, como sua maior inspiração.

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Em entrevista ao Terra, por telefone, o baterista Dale Crover falou sobre o show no Brasil, como desenvolveram o som pesado e arrastado da banda, dos períodos em que tocou no Nirvana e os anos de convivência com Cobain.

Esta é a primeira vez que vocês tocam no Brasil. O que esperam do show em São Paulo?
Você não imagina o quanto estou ansioso! Todo mundo que vai para o Brasil volta maravilhado, dizendo que é a melhor platéia do mundo. Recebemos muitos e-mails - mas muitos mesmo, chega a ser impressionante - de fãs brasileiros e argentinos, então acho que passaremos bons momentos por estes lados.

Como será o show? Mais focado no último disco, Nude With Boots, lançado este ano, ou terá também músicas antigas?
Como estamos na turnê do Nude With Boots, tocaremos bastante coisa desse disco novo. Mas por ser a primeira vez no Brasil, tocaremos também músicas mais antigas, além de algumas surpresas.

O Melvins começou como uma banda de punk hardcore, fazendo um som bem rápido. Mas não demorou muito para que vocês começassem a tocar uma música arrastada cheia de riffs pesados. Conta-se que foi o disco My War do Black Flag que mudou o rumo da banda. Foi isso mesmo?
Essa história do My War é verdade, sim. Naquela época o som do Melvins era rápido mesmo, mas já queríamos tocar algo mais devagar. Quando saiu esse disco ninguém entendeu o lado B, que tinha as músicas mais lentas e arrastadas. Era justamente o que gente queria, e fomos moldando nosso som naquele estilo.

Ao longo de sua carreira, sua banda influenciou desde as bandas de Seattle - como Nirvana e Soundgarden, que ficaram especialmente famosas nos anos 90 - até bandas mais recentes que fazem música considerada extrema como Boris, Mastodon e várias outras. Como vocês vêem esse impacto que exercem?
Só posso dizer que nos sentimos muito honrados por sermos citados por esses artistas como influência. Estamos fazendo nossa música há tanto tempo, esperando atingir as pessoas com elas e esses casos parecem mostrar que isso funciona de alguma forma.

Mesmo com tanto tempo de estrada e cultuado por diversas bandas, o Melvins nunca chegou ao mainstream. Como vocês vêem isso? É possível viver só com o dinheiro que vocês ganham com o grupo?
Eu entendo por que nunca chegamos ao mainstream. Nosso som sempre foi desafiador. E viemos de um ambiente underground, onde tocar no rádio não importava nem um pouco. Se bem que eu acho que, em um mundo perfeito, Melvins tocaria no rádio sem o menor problema (risos). E eu consigo, sim, viver só do Melvins. Todos do grupo conseguem. Desde 1991 me dedico somente à banda.

Vocês fazem parte da gravadora Ipecac, do Mike Patton (vocalista de bandas como Faith No More, Fantômas, entre outras, conhecido por suas excentricidades). Ele é um bom patrão?
Sim, ele é ótimo! Lá na Ipecac todos são envolvidos com música, então temos total liberdade para fazer o que queremos em nossos discos, o que talvez não conseguiríamos em outra gravadora.

O Buzz Osbourne (guitarrista e vocalista do Melvins) tocou no Brasil com Mike Patton em 2005, com o Fantomas. O que ele contou sobre o País?
Ele voltou maluco! Por isso estou tão ansioso... Ele disse que aí no Brasil as pessoas gostam de andar com pouca roupa, e eu adorei essa parte. Também falou que existem uns restaurantes com muita, mas muita carne, de todos os tipos. Preciso conhecer logo esse lugar!

Você fez parte da primeira banda do Kurt Cobain, o Fecal Matter. Cobain tentou inclusive ser baixista do Melvins. Qual são suas lembranças de Cobain desta época?
Tocamos juntos, ele chegou a ser roadie dos Melvins e tentou entrar para a banda. Na verdade, só não contratamos ele porque ele não tinha um baixo. Ele não tinha equipamento nenhum! (risos). Eu nunca vi ninguém com uma ligação tão forte com a música como tinha o Kurt. Esse culto em torno do Nirvana era estranho na época e continua estranho para mim até agora. Eu não consigo imaginar o tipo de som que ele estaria fazendo agora se estivesse vivo. A história desse cara teve um fim triste demais.

Você tocou no Nirvana em dois períodos diferentes (1988 e 1990), mas nas duas vezes você acabou abandonando a banda por escolha própria. Depois de todo sucesso e dinheiro que a banda fez, você chegou a ficar arrependido em algum momento?
Sim, toquei com eles para quebrar um galho, depois acabei gravando uma fita demo. Algumas das baterias que eu toquei foram lançadas em alguns extras, e em uma caixa com sobras de estúdio. Não posso afirmar que fico arrependido. Não penso nisso. Foi uma escolha que eu fiz na época e que eu acho que foi certa. Quem garante que comigo o Nirvana seria o Nirvana? Escolhi ficar com os Melvins e é o que eu amo fazer e onde pretendo ficar por muito tempo.

Para finalizar, o que os fãs brasileiros podem esperar do show em São Paulo?
Estejam preparados para derreter! Vamos cozinhar vocês como se estivessem em um forno de microondas. Quem gosta de barulho vai se divertir bastante, isso eu garanto.
 

Redação Terra
 
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