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Música
Domingo, 25 de abril de 2004, 10h50 
Basement Jaxx arrasa em festa eletrônica em SP
 
Rodrigo Carneiro
 
Reinaldo Marques/Terra
Felix Buxton canta com backing vocal na apresentação arrasadora do Basement Jaxx em SP
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O Basement Jaxx fez o melhor show do Outdoor Stage no festival de música eletrônica, realizado neste sábado, 24, no Complexo do Anhembi. Liderado pelos músicos e produtores Felix Buxton e Simon Ratcliffe, o grupo trouxe ao palco toda sua mistura de gêneros.

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Depois de enveredar pela house, R&B, funk, punk, em dado momento, os produtores apresentaram uma versão híbrida de White Stripes e 50 Cent. A platéia urrou. Além disso, o Basement tem um quarteto multiracial de vocalistas. Meninas de parar o trânsito - no começo, o grupo ainda teve o auxílio de uma belíssima passista legítima, além de uma grande e bonita queima de fogos. O repertório foi calcado no festejado álbum Kish Kash e passou também por composições dos registros anteriores, Remedy (1999) e Rooty (2001).

Já os norte-americanos do Fischerspooner, previstos como a outra grande atração do festival, não confirmaram a fama. As roupas são ótimas. Os cortes de cabelo são modernos. As garotas são lindas e o vocalista performer Casey Spooner quer convencer a todos de sua sensualidade. Mas a música sai enfraquecida depois de tanta purpurina. Não deixa de ser engraçado vê-los no palco. A imagem diz mais que os acordes musicais. Seguindo essa linha, Warren Fischer simula vômitos de sangue enquanto uma das cantoras de cabaré - essa, sim, com voz de verdade - entoa "arias" oitentistas.

A atitude ensaiada também contribuiu para que o hedonismo pregado pelo Fischerspooner estivesse mais para gélido. Apesar de todo o aparato, a platéia identificou-se apenas com as músicas conhecidas, Emerge e The 15h. No mais, o grupo mostrou canções novas sem muitas nuances, que eram introduzidas com mensagens do tipo: "espero que gostem dessa nova música, pois quem não gostar, que se f***." Estourados no horário, o grupo ensaiou uma saída - prevendo um pedido de retorno mais caloroso da platéia - e deixou o palco de maneira abrupta. Diferente da alta temperatura do Basement Jaxx, o hedonismo do Fischerspooner é gélido. Posado.

Melhor se saiu o italiano Benny Benassi que recorreu ao hit do Rolling Stones Satisfaction e ganhou a audiência com seu electro algo tec-house sem maiores complicações. Os modernos renderam-se de vez ao idoso rock'n'roll e Benassi sabe disso.

No palco Movement, as estrelas foram verde-amarelas. Ainda que nomes referenciais, como o do britânico Roni Size (que atacou no País pela segunda vez, agora apenas como DJ. Na outra ocasião, Size veio acompanhado de seu supergrupo Reprazent), a casa veio abaixo mesmo com as performances de Patife e Marky. Com a simpatia habitual, o primeiro jogou com músicas de identificação imediata e com forte acento melódico e nacional. Um novo remix de Sambassim, parceria dele com Fernanda Porto, e uma citação de Beyonce foram saudados por todos. Patife é um veterano do festival e esteve presente em todas as edições.

Marky, que acaba de lançar In Rotation, o primeiro disco de produções próprias com o DJ Xerxes, deixou de lado a leveza do álbum, que ora esbarra na house, ora vai à bossa nova, e apostou num set pesado e energético. O nosso DJ mais conhecido no planeta também provou que seus scratches estão cada vez mais precisos. Como se isso ainda fosse possível. Problema para o ótimo Derrick Carter, que tocava na tenda The End, ao lado da Movement, onde se apresentava o DJ Marky. Carter é de Chicago e traz em sua mala a mais fina house music produzida por aquelas bandas e lançamentos de seu selo Classic, especializado, claro, em house.

Da mesma tenda, o italiano-canadense John Acquaviva mandou de seu laptop um set emitido pelo programa Final Scratch. O princípio é o de que se manipule as músicas no computador como se elas viessem dos discos de vinil. É o computar substituindo as pick-ups.

A exemplo da Movement, na Bugged Out! os destaques também foram os brasileiros. Murphy, que seduziu a Europa com o sugestivo tecno pesadão Tem Lenha, e Renato Cohen, um dos que mais viaja pelo mundo, colecionando elogios rasgados de gente com Carl Cox, fizeram bonito na tenda voltada para o tecno.
 

Redação Terra
 
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