| Reuters |
 Caetano Veloso posa em frente ao Copacabana Palace |
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Caetano Veloso está em turnê no exterior para divulgar seu novo álbum, A Foreign Sound, que teve lançamento mundial no dia 8 de abril.
Tendo gravado Fina Stampa, um álbum composto inteiramente de músicas em espanhol, Caetano decidiu explorar o cancioneiro popular americano no novo trabalho, que inclui canções como Love For Sale e Feelings.
A turnê mundial incluiu um show no prestigioso Carneggie Hall, em Nova York, e trará o cantor a Londres para um concerto no segundo semestre.
Em entrevista à BBC, o compositor baiano disse que a decisão de gravar em inglês não faz parte de uma estratégia mercadológica. Ele até acha que ninguém vai ouvir o disco inteiro.
Risco
"Acho que esse disco pode até atrapalhar a minha presença pública internacional", disse Caetano. "Porque é muito arriscado mexer com esse repertório consagrado e maravilhoso de canções americanas, de uma maneira tão descaradamente livre e com escolhas tão difíceis de entender", afirmou.
"Eu acho que é mais uma dessas coisas esquisitas que eu faço, como as outras que eu venho fazendo, que vão me deixar no mesmo lugar onde eu estou."
Clássicos consagrados de compositores como George Gershwin, Cole Porter e Bob Dylan são ouvidos ao lado de canções do Nirvana e de Elvis Presley.
Caetano Veloso disse que o rock é uma influência profunda na sua carreira e está na raiz de tudo o que acontece na música popular hoje em dia.
"O rock foi para mim uma influência vital do meio dos anos 60 em diante", disse ele. "O Tropicalismo não teria acontecido, não teria tido lugar, se não tivéssemos nos sentido atraídos pelo rock, pela vitalidade do rock e pelo significado do rock no mundo da cultura de massa."
Depois de mais de 40 anos de carreira, muitos críticos vêem a relevância de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque como um sinal de falta de criatividade na MPB, Caetano acredita que, muito pelo contrário, a música brasileira vai bem.
"Eu não acho que a música brasileira seja dependente de nós", afirmou. "Por exemplo, quando ouço o DJ Dolores com a Orquestra Santa Massa, Nação Zumbi ou Maria Rita, quando ouço as coisas mais variadas, como Max de Castro ou Los Hermanos, posso pensar em Chico Buarque, Jorge Ben, Gilberto Gil, ou no meu próprio trabalho, mas não preciso pensar nisso."
Mas então como explicar essa longevidade e influência da geração de Caetano até hoje? "O que não quer dizer que a gente vá perder o senso histórico. Eu nunca me esqueci de Noel Rosa ou Dorival Caymmi e jamais me esquecerei de João Gilberto e Antônio Carlos Jobim."
"A música brasileira não é por isso dependente dessas pessoas. Mas são pessoas que fizeram coisas que bem provavelmente jamais serão esquecidas."
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