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Música
Sexta, 13 de junho de 2008, 08h37  Atualizada às 08h42
Caixa com quatro CDs resume 40 anos da obra de Chico Buarque
 
Mauro Ferreira
 
Gabriela Andrade/Photo Rio News
Caixa  Chico Buarque Essencial  chega às lojas esta semana
Caixa Chico Buarque Essencial chega às lojas esta semana
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É fato que a parcela mais expressiva da discografia de Chico Buarque repousa nos arquivos da gravadora Universal Music e abrange o período 1971 - 1986. Apesar de seu título discutível, a caixa Chico Buarque Essencial, nas lojas esta semana pela Sony BMG, exibe bom perfil da obra do artista carioca.

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A caixa reúne quatro CDs - que totalizam 56 gravações de músicas lançadas entre 1965 e 2005 - o DVD Chico ou o País da Delicadeza Perdida, que perpetua especial feito para a televisão da França em 1990.

Para atrair a atenção dos fãs do compositor para a caixa, duas gravações inéditas foram inseridas entre os 56 fonogramas. Trata-se de sobras de discos que não estão à altura da obra de Chico.

Tanto Amar é sobra do CD de releituras Uma Palavra (1995). Não por acaso: Chico está cantando mal a música que já gravara com mais inspiração em 1981. A outra faixa inédita é um registro ao vivo do Samba do Grande Amor (1983) que foi limado do álbum Chico ao Vivo (1999), erroneamente nomeado no texto do libreto como As Cidades - Ao Vivo. A gravação também flagra Chico em momento vocal pouco inspirado.

Inéditas à parte, a caixa Chico Buarque Essencial está baseada na obra fonográfica gravada por Chico a partir de 1987.

Porém, como há fonogramas mais antigos cedidos pela Universal Music e como o compositor regravou bastante a própria obra a partir da década de 90, o painel é bem abrangente, incluindo desde Pedro Pedreiro, samba que Chico lançou em 1965, até Renata Maria, sua superestimada parceria com Ivan Lins, lançada por Leila Pinheiro em 2005.

A divisão do repetório em CDs temáticos é meio óbvia e já foi explorada em outras compilações da obra de Chico. Se tivessem sido dispostas em ordem cronológica, as 56 gravações possibilitariam ao ouvinte maior percepção da evolução da obra de Chico, dos sambas líricos dos anos 60 (alguns feitos à moda de Noel Rosa) aos temas mais recentes de refinadas harmonias, passando pela fase engajada dos anos 70, ápice criativo do autor.

O quarto CD, Entre Amigos, Paratodos, se impõe na caixa por reunir fonogramas mais obscuros. Caso de Paroara, que juntou Chico a Fagner e a Fausto Nilo em 1985 em gravação feita para álbum de Fagner. Vale ouvir ainda o dueto com Marianna Leporace em Tororó, feito em 2000. Tijolos da bela obra de Chico Buarque.
 

O Dia

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