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 Max Cavalera se prepara para entrar em turnê com o irmão Iggor |
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De malas feitas para a primeira turnê do Cavalera Conspiracy, o projeto que montou com o irmão Iggor, o ex-líder do Sepultura e atual Soulfly Max Cavalera falou com o Terra de sua casa em Phoenix (EUA). Feliz com a reconciliação com o irmão e com Inflikted (CD recém-lançado do Cavalera Conspiracy), Max só não acredita na atual formação de sua antiga banda: "isso não é o Sepultura", diz o músico.
» Opine sobre o Sepultura sem Max e Iggor Cavalera
Como foi tocar com seu irmão após 10 anos de separação?
Quando a gente entrou no estúdio foi uma erupção de sentimentos, som e idéias. Foi um dos momentos mais legais da nossa vida. Além disso, o disco ficou muito legal e a sua repercussão no mundo inteiro me deixou muito feliz. A única coisa que falta agora é tocar no Brasil
Antes, havia uma idéia de gravar parte do disco no Brasil. Isso aconteceu por quê?
Não rolou infelizmente. Mas isso ainda está de pé, talvez para o próximo disco. Mas do jeito que o CD foi feito, seria pouco prático. Foi mais fácil gravar nos EUA. Acho que o Cavalera Conspiracy ainda vai fazer mais discos, então acho que essa gravação no Brasil ainda pode rolar.
Existe uma possibilidade do Cavalera Conspiracy funcionar como uma banda e não tanto como um projeto?
Existe a chance de funcionar das duas formas. Não só é um projeto, é muito mais que isso. Tocar com o Iggor, para mim, é muito forte e não posso jogar essa chance fora. Mas também não dá para estar o tempo inteiro em turnê: o Iggor tem a vida dele e eu não posso deixar o Soulfly de lado. Mas meu desejo é de tocar mais, fazer mais discos e sempre tocar com o Iggor. Depois de 10 anos separados, o que eu quero é ficar mais tempo perto dele como músico e irmão.
E sobre shows no Brasil, existe algo de sólido?
Não tem nada confirmado. Mas sempre chegam faxes e emails no nosso escritório nos convidando para tocar no Brasil. Tomara que o País entre na nossa rota. Vamos cruzar os dedos aqui para que isso aconteça. Eu não vou ao Brasil desde 2000. Eu tenho que ir aí tomar caldo de cana, andar de pés descalços na praia.
A expectativa era de que você e seu irmão voltassem para as raízes do Sepultura: o death e thrash metal dos anos 80. No entanto, apesar dessas influências estarem no disco do Cavalera Conspiracy, a música acabou soando mais moderna.
Sim, tem uma estampa e um clima novos. Não é só uma repetição dos anos 80. Tem uma coisa sonora atual nesse disco, que é como soam Max e Iggor hoje em dia. Você tem o peso e a raiva dos anos 80, mas com tecnologia. O Morbid Visions (disco do Sepultura lançado em 1986), por exemplo, é muito legal, mas a gravação é muito tosca. Tentamos pegar esse espírito usá-lo numa boa gravação.
Quando o projeto do Cavalera Conspiracy foi anunciado, o comentário era de que se uma banda merecia o nome Sepultura essa banda seria o Cavalera Conspiracy. O que você pensa disso?
Pôxa, vou fazer o quê? Me sinto elogiado, é sinal de que o pessoal gostou do CD. Meu público é bem crítico e agradá-lo não é uma tarefa fácil. O nome é importante. No entanto, uma banda pode ter um nome de peso, mas se não está fazendo nada de bom, não adianta de nada.
Você trabalhou muito construir o nome do Sepultura. Como você se sente vendo uma banda, da qual nem você nem o Iggor fazem parte, carregando o nome Sepultura?
Isso sempre foi esquisito. Quando o Iggor ainda estava na banda dava para entender um pouco mais, mas hoje é quase inacreditável, isso não é o Sepultura. É como se o Van Halen não contasse mais com os irmãos Van Halen.
Muita gente mais nova não sabe o quanto nós ralamos para construir a banda: dormir debaixo de palco no Recife, trocar porrada com skinheads e essas coisas. Se não fosse por tudo isso, não teria Sepultura. Mas é aquela história de novo: um nome sem um bom conteúdo não vale de nada. É a mesma coisa de rezar sem fé, é mecânico, melhor nem rezar.
O Iggor está cada vez mais envolvido com música eletrônica. Ele já disse que a última coisa que queria era gravar um CD de metal. Foi difícil convencê-lo a tocar metal de novo?
Não foi muito difícil. Eu até brinquei com ele: "você pode até enganar os outros, mas a mim você não engana, você é metaleiro mineiro". Mas o Iggor sempre foi diferente. No Sepultura, já na época do Schizophrenia (disco de 1987), nós escutávamos Hellhammer e Slayer e ele ia para o ensaio ouvindo Beastie Boys. Ele pode estar envolvido com música eletrônica, mas quando nos juntamos para fazer metal, sai de baixo! Acho que eu mudei a cabeça dele. Vejo também a expressão dele quando ele toca comigo, vejo que está feliz tocando.
No último disco do Soulfly, Dark Ages, seu som se tornou mais cru e agressivo. O Cavalera Conspiracy seguiu o mesmo caminho. A tendência é essa mesmo?
Assim é mais legal. Mas é que eu fiquei de saco cheio de os americanos não entenderem o lado espiritual que o brasileiro tem. Cansei de explicar que acredito em Deus espiritualmente, mas que não tenho nada ver com crentes, então não vou mais expor isso.
Também me enchi desse tipo de banda que surgiu junto com coisas como Limp Bizkit, que se preocupa mais com roupa do que com música. Nos últimos anos, toquei em festivais com bandas de metal mesmo, como Slayer e Morbid Angel, e bateu aquela vontade de voltar a ser metaleiro do jeito original mesmo. Meu caminho é esse mesmo. A música mais legal que tem é o metal. É como dizem: pau que nasce torto morre torto.
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