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Música
Sexta, 16 de maio de 2008, 08h36  Atualizada às 08h46
Entrevista: "Não somos cover de ninguém", diz Inimigos da HP
 
Flávia Faccini
 
Terra
Os 'Inimigos da HP' lançam seu quarto CD
Os 'Inimigos da HP' lançam seu quarto CD
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Em conversa com o Terra na tarde de ontem, o percussionista do Inimigos da HP, Gui Rocha, afirmou que o quarto álbum do grupo, Ao Vivo em Zoodstock, é uma resposta às críticas de que a banda só faz imitações de outros artistas.

» Assine Sonora e ouça as músicas dos Inimigos da HP
» Confira as letras dos Inimigos da HP

"Não somos cover de ninguém, nunca fizemos isso. Mesmo as regravações que fizemos de sucessos de outros cantores tinham o nosso estilo", defende o músico.

Composto só de músicas inéditas, o álbum é uma aposta nos nove anos de experiência do grupo, que começou tocando nos bares da Vila Olímpia, em São Paulo.

"Amadurecemos muito e é importante ter um trabalho com personalidade, fazer uma música que seja reconhecida como nossa", contou.

Formado por Sebá (vocal), Bruninho (cavaco), Gui (percussão), Léo (banjo), Alemão (surdo), Cebola (pandeiro), Tocha (rebolo) e Bonilha (percussão), o Inimigos da HP, falou ao Terra sobre o novo trabalho, o assédio das fãs e os planos para o futuro.

Confira os principais momentos da entrevista:

Como foi que um grupo de estudantes de engenharia resolveu formar um grupo de pagode?
Éramos só um grupo de amigos de faculdade que saíam para se divertir, ir a micaretas e shows de grupos como o Molejo, Exaltasamba e Só Pra Contrariar. Sempre gostamos muito de pagode e acabamos montando a banda por diversão, de uma maneira muito descompromissada.

Quando foi que passaram a encarar o grupo como algo mais profissional?
Nós fazemos shows desde 1999, e todos nós nos formamos e trabalhamos um tempo com engenharia. A decisão de sair do trabalho e começar a trabalhar só com música não foi tomada em conjunto. Cada músico percebeu o momento que não tinha mais como conciliar os shows com outro trabalho.

Embora essa não tenha sido a ambição inicial, o Inimigos da HP é uma das bandas que mais faz show no Brasil. A que você atribui tanto sucesso?
Acho que esse sucesso vem do prazer com que fazemos os shows, da alegria e da descontração que levamos ao público. Tem fãs que às vezes nos dizem que vieram para se distrair após terminar um namoro e gostaram do astral das músicas. As pessoas entram com problemas e saem felizes, não pode haver satisfação maior para nós.

Por que só agora resolveram lançar um álbum com composições inéditas?
Quando assinamos com a gravadora para fazer o primeiro álbum, a idéia era mostrar para o Brasil um trabalho que já era sucesso em São Paulo. Então não havia porque mexer em nada, e sim divulgar o que já estávamos fazendo.

Depois de nove anos de estrada, estamos maduros para fazer um CD autoral, ter um trabalho com personalidade e fazer uma música que seja reconhecida como nossa. Isso também é uma resposta param quem diz que somos uma banda cover.

Não somos cover de ninguém, nunca fizemos isso. Mesmo as regravações que fizemos de sucessos de outros cantores tinham o nosso estilo.

Alguma vez vocês pensaram em desistir e voltar a trabalhar como engenheiros?
Já pensamos em desistir, mas não depois que passamos a nos dedicar integralmente a banda. Houve uma época, em que éramos mais jovens, tínhamos shows para fazer no fim de semana e víamos os amigos indo para a praia, por exemplo. Nessa hora dava vontade de abrir mão para poder curtir outras coisas, mas não agora.

A formação em engenharia ajudou de alguma forma a carreira artística?
Sem dúvida. Em qualquer profissão você precisa aprender a trabalhar, a delegar, a cobrar. Um grupo de pagode também tem receitas, despesas. Nossa formação profissional só nos ajudou a crescer. Quando assinamos contrato com a EMI, não saímos correndo e assinamos um papel em branco, analisamos pós e contras, então é mais difícil nos enrolar.

Vocês têm um público bastante jovem. Como lidam com o assédio das fãs?
A maioria dos integrantes do Inimigos da HP é casada ou tem namorada, só um de nós é solteiro, mas não acho que isso seja determinante na hora do assédio. Procuramos tratar todo mundo com bastante carinho, nosso camarim sempre está aberto e estamos à disposição das fãs.

É preciso compreender que quando uma fã diz que me ama, o que ela ama na verdade é o músico que está em cima do palco e não o que eu sou na vida real. Claro que existem fãs mais ousadas, que chegam apertando o bumbum ou querem deixar o telefone, mas encaramos com bom humor.

Quais são os os próximos projetos da banda?
Embora façamos muitos shows, ainda não mostramos o nosso trabalho em todos os estados do País, então acho que é uma meta a ser atingida. Quem sabe mais para frente apostaremos em uma carreira internacional. Já recebemos alguns convites para tocar na Europa e EUA, mas eles acabaram não se encaixando na nossa agenda, que sempre é fechada com bastante antecedência.


 

Redação Terra
 
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