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Na noite da última sexta-feira, o músico americano de criação canadense Rufus Wainwright fez no Via Funchal, na capital paulista, o segundo show de sua primeira turnê pelo Brasil. Wainwright e sua irmã Martha, sua mãe Kate McGarrigle e seu cunhado Brad Albetta esbanjaram duas características que parecem ser parte da genética da família: vozes talentosas e bom humor.
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A irmã de Rufus
Com um show de trinta minutos, Martha Wainwright abriu a noite, preparando muito bem o terreno para o irmão. Dona de uma voz versátil, Martha destilou uma coleção de canções de forte tom confessional e melodias delicadas pontuadas por dinâmicas pouco óbvias.
O folk moderno repleto de nuances e explosões ocasionais de Martha impressionou a platéia ao produzir um som cheio e intenso usando apenas voz e violão. A primeira metade do show contou com as músicas Bleeding All Over You, When The Day Is Short e Jesus & Mary.
Na segunda metade da apresentação, seu marido Brad Albetta (baixo acústico) e sua mãe Kat McGarride (piano) juntaram-se a Martha. "Minha mãe é uma ótima pianista e não tenho que pagá-la para tocar para mim", brincou a cantora.
Factory, Tower Song e Bloody Mother Fucking Asshole fecharam o set da irmã de Rufus Wainwright.
Piano, voz e violão
Conhecido por suas canções emolduradas por arranjos grandiosos e orquestrados, Rufus Wainwright fez um show longo (1h45) exibindo formatos bastante econômicos de suas composições.
Normalmente acompanhado por uma grande banda, os três elementos mais recorrentes em cima do palco foram a voz, o piano e o violão de Wainwright.
O que poderia ser um descrédito para a apresentação acabou dando um sabor diferente à performance: sem as molduras semi-operísticas de uma grande banda, a força das composições ficou mais evidente.
Bom humor e auto-ironia
O humor despojado e auto-ironia de Wainwright também serviram como atrações a mais do show. "Eu gosto muito desses telões, mas eu fico olhando demais para eles", brincou o músico após errar Sanssouci.
"Essa é meio brasileira. Sou eu tentando ser um bom guitarrista. Bom, pelo menos eu achei bem sofisticado quando eu a compus", Wainwright disse em tom de brincadeira antes de tocar Rebel Prince.
Seguindo o clima bem-humorado, a balada I'm not Ready to Love - um intervalo para o músico recuperar o fôlego, segundo o próprio - foi precedida por uma brincadeira com a platéia. "Vamos fingir que estamos numa cena de Uma Rua Chamada Desejo, eu sou Elizabeth Taylor e todos vocês são o Marlon Brandon sem camisa. Agora, digam: 'Eu te amo'".
Além do bom humor, outro ponto marcante do show é a capacidade vocal de Wainwright, que sustenta notas altas por um bom tempo, e a delicadeza das canções. Por mais que algumas músicas tenham um apelo melodramático demais, há nelas, porém, uma elegância comovente que dobra qualquer ouvinte.
Versões
Na metade de seu set, Wainwright, com a ajuda da família, fez uma homenagem à música brasileira, tocando Manhã de Carnaval (de Luiz Bonfá e Antônio Maria). A escolha da versão foi de sua mãe, que cantou a música num português canhestro.
Outras versões apresentadas pelo cantor foram Somewhere Over The Rainbow (trilha sonora do filme Mágico de Oz e famosa na voz de Judy Garland) e, num belo dueto com a irmã Martha, Hallelujah, do canadense Leonard Cohen.
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