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Música
Terça, 15 de abril de 2008, 16h59 
Crítica: Mariah Carey tenta repetir disco de 2005
 
Ben Ratliff
 
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E=MC² (Island)
Mariah Carey

Não é um disco sobre física. "E" quer dizer "emancipação", referência a The Emancipation of Mimi, álbum lançado por Carey em 2005 que restaurou sua reputação como cantora de grandes sucessos, com vendas de seis milhões de cópias. A idéia é que compreendamos que é um disco semelhante. Ou ainda melhor - ao quadrado. Algo assim.

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E de fato é um disco semelhante - mas muito pior. Carey restringiu mais o uso de sua voz, de modo que canta ainda mais parecido com as novas cantoras de R&B. O abuso de seu imenso alcance vocal pode ser parte do passado do qual ela deseja escapar, mas a conseqüência é que ela só nos permite ouvir parte de seu som.

Seu registro mais agudo, para além do falsete, neste disco só aparece como um detalhe de fundo, e ela adotou um fraseado ainda mais robótico para os refrões. Talvez o disco seja o segundo passo na busca de Carey por ela mesma, mas ele também soa mais cauteloso que o passo inicial. Como Mimi, o novo álbum começa com uma canção produzida por Jermaine Dupri, e o tema de novo é estar no clube, ou melhor, procurar uma casa melhor para dançar do que aquela em que a cantora está. A bebida mencionada é Patron em vez de Bacardi, e a participação vocal é de T-Pain.

Seguindo sua tradição, e a do R&B moderno, Carey utiliza diversos produtores - Dupri, Danja, Tricky Stewart, Bryan Michael Cox e Swizz Beatz. Scott Storch criou Side Effects, o melodrama do disco, uma canção cujo tema parece ser a vida sob o jugo de Tommy Mottola, ex-marido de Carey e presidente da gravadora para a qual ela trabalhava, e as recordações que a experiência deixou. ("Tento não falar mal dele", disse Carey em entrevista recente. E é verdade, pelo menos nominalmente, ainda que um verso sobre "dormir com o inimigo" pareça chegar perto disso.)

James Poyser, que trabalhou com D¿Angelo e Erykah Badu, produziu I Wish You Well, a última e talvez a mais inteligente das faixas, com voz e piano apenas. Mas boa parte do disco parece uma imitação das rádios urbanas, sem as peculiaridades e truques efetivos de Mimi.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
 

The New York Times
 
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