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Música
Domingo, 13 de abril de 2008, 12h00 
Porto Alegre: tecladista do The Doors toca samba e pede cachaça
 
Fernando Diniz
Direto de Porto Alegre
 
Flávio Wild/vc repórter
O tecladista Ray Manzarek em show em Porto Alegre
O tecladista Ray Manzarek em show em Porto Alegre
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O tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robby Krieger subiram ao palco do Pepsi On Stage, na noite do último sábado em Porto Alegre, fechando a turnê da banda Riders On The Storm no Brasil.

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Aparentando menos timidez do que no final dos anos 60, Manzarek chegou a arriscar um samba na abertura de um dos clássicos da banda e brincou com o público dizendo que precisava de uma cachaça.

Nem todo o público havia entrado na pista quando, pontualmente às 22h, uma gravação de um trecho da ópera Carmina Burana anunciava a entrada dos músicos no palco. As cerca de cinco mil pessoas que enchiam o local logo reconheceram o tema de Love me Two Times, cantando junto com a banda.

O vocalista Brett Scallions (ex-integrante do The Fuel) incentivou a platéia e mostrou-se com um timbre de voz muito semelhante ao do vocalista original do The Doors, Jim Morrison, morto em 1971. Em certos momentos, Scallions chegava a dançar e gesticular como Morrison.

Depois da primeira música, o baterista Ty Dennis iniciou uma levada semelhante a um samba e Ray Manzarek passa a imitar uma cuíca com a voz. O ritmo brasileiro começou se desenvolver até que se transformou em Break on Through, clássico que abre o primeiro disco da banda, de 1967. No meio da música, entre os acordes de teclado, Manzarek continuou a imitar o instrumento típico da música brasileira.

Strange Days foi o terceiro clássico a ser tocado em Porto Alegre. Com um arranjo diferente e mais pesado, a música empolgou o público. Manzarek utilizou um timbre de cravo em seu teclado, enquanto Krieger fazia as vezes de um hammond com a guitarra, durante a introdução.

O clima psicodélico do show teve início com a extensa When the music is over. O vocalista Brett Scalions dançava loucamente sob os solos dissonantes de Kieger na guitarra, que foi ovacionado ao final da música. O show seguiu com a clássica Wait for the sun e a The Soft Parade. Nessa última, Robby Krieger dançou e brincou com o baixista Phil Chen - os dois ficaram andando em círculos durante os improvisos.

A Peace and Frog foi tocada pela banda depois de algumas apologias do vocalista ao estilo de vida do final dos anos 60, falando sobre sexo e rock and roll. Os ânimos acalmaram com a bela balada Blue Sunday, que contou com linhas melódicas de guitarra executadas por Krieger.

Depois da balada, Ray Manzarek quebra o gelo e diz "eu acho que eu preciso de uma cachaça". Ele brinca com a platéia, perguntando a todos o que achariam se ele fossem a um "Whiskey Bar", anunciando, então, a divertida Alabama Song (Whisky Bar). A platéia adorou e cantou toda a música junto com a banda. O show seguiu depois com Gloria da banda Them, de Van Morrison, e depois com uma apresentação solo inusitada de Robby Krieger, tocando flamenco em um violão.

O que parecia ser sério virou brincadeira quando Manzarek surgiu com duas maracas. Os dois cantaram juntos No me moleste mosquito. A banda retornou e tocou Spanish Caravan junto aos remanescentes do The Doors.

Os integrantes se referiram ao vocalista Jim Morrison quase no final do show, quando o chamaram de "sexy machine". O vocalista chegou a pegar uma das bandeiras com o rosto do antigo vocalista de uma pessoa da platéia e mostrou no palco. Manzarek acabou dedicando a música Touch me a Morrison e ao cantor de soul James Brown.

Duas músicas esperadas pelos fãs ficaram para o fim. A que dá nome à banda, Riders on the storm, foi fielmente reproduzida pelo grupo. Mas, o que fez o público entrar em êxtase foi o grande hit do Doors, Light My Fire. Na empolgação, Manzerek chegou a chutar o banco que estava sentado.

Com o instrumento em volume máximo, ele colocou o pé em cima das notas agudas do teclado, enlouquecendo os fãs. Krieger fez citações dos solos originais e depois partiu para os improvisos, com direito a referências ao jazzista John Coltrane, que inspirou a música.
 

Redação Terra
 
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