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Música
Terça, 25 de março de 2008, 17h20 
Seal diz que só agora tem disco para fazer brasileiros dançarem
 
Ricardo Britto/Terra
Seal chega ao Brasil para quatro shows
Seal chega ao Brasil para quatro shows
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Após 16 anos longe do País, o cantor e compositor britânico Seal voltou ao Brasil para fazer quatro shows e promover o álbum System, que segue a linha da dance music. Em um encontro com jornalistas na tarde de hoje, em São Paulo, ele afirmou que só agora tem um álbum bom o suficiente para fazer os brasileiros dançarem: "Acredito que os brasileiros gostam muito de dançar e agora tenho um repertório que pode ser muito prazeroso", disse.

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Atrasado para o encontro e visivelmente tenso, Seal mostrou-se incomodado, de uma forma solta e quase engraçada, com a tradutora, que por vezes cortava algumas de suas frases mais extensas. "Como você pode ter traduzido tudo o que eu falei em apenas uma frase?", questionou, com um sorriso no rosto. "É por isso que me sinto incomodado com tradutores. Eles podem distorcer o que eu falo". Em determinado momento da entrevista, Seal ponderou suas frases para que ela as traduzisse em sentença exata.

Logo na primeira pergunta, Seal tratou de desmentir os rumores de que seria filho de uma brasileira com um nigeriano. "As pessoas se confundem todo o tempo. Na verdade, quem é brasileiro é meu avô por parte de pai", contou. Apesar da notícia, ele tratou de dizer que talvez tenha um pouco das raízes brasileiras em seu subconsciente e que é um grande fã de Dorival Caymmi. "Ele não só tem uma linda voz como a usa como instrumento. Não é muito comum que cantores façam isso", elogia.

A sacada da música brasileira, segundo ele, é o modo como a melodia é desenvolvida e evolui. "Eu não entendo o que essas pessoas estão dizendo, mas não preciso. Tem muita música na língua portuguesa, especialmente a do Brasil", exalta.

Com quatro shows marcados - o primeiro acontece nesta quarta-feira em São Paulo -, Seal disse que não terá tempo para visitar os pontos turísticos do País, embora tivesse vontade, mas está ansioso para ver qual será a reação do público que o aguarda. "Há dois dias atrás eu percebi que terei todas as atenções voltadas para mim. Eu venho com uma atitude diferente de 16 anos atrás. Acredito que haverá uma atmosfera muito quente."

O grande problema - que ele insiste em se desculpar - é que da primeira vez que veio ao País, em 1992, Seal tocou no festival Hollywood Rock, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e por isso acreditava que talvez aquela memória, de pessoas com variados gostos, aguardando diferentes atrações, pudesse se repetir em mais apresentações por aqui. "Percebi que não vai ser isso, não vou dividir o palco com outros artistas, então não sei realmente o que esperar", adiantou.

Dance Music
Na entrevista, Seal disse que escuta músicas dos anos 70 no carro com a mulher, a top model Heidi Klum, e que já chegou a se inspirar em artistas como Jimi Hendrix, Led Zepellin e Marvin Gaye, mas não escuta muita música para criar seus trabalhos. "Chega um momento em que você começa a sentir sua voz e deixa de olhar os outros". Esse sentimento específico foi definido por ele como "impacto emocional". "Acontece quando você escuta uma música e ela te move não só fisicamente, como no coração e na cabeça", explica.

Parte desta 'independência musical', que mesmo não assumida tem suas bases firmadas, aconteceu graças ao álbum System, seu mais novo trabalho, feito em parceria com o produtor Stuart Price, um dos nomes por trás do disco Confessions on a Dance Floor, de Madonna.

"Eu procurei o Stuart porque queria fazer esse tipo de disco mais dançante e eu não estava atualizado com a cena dos clubes. Já freqüentei muito no começo da minha carreira, mas hoje tenho uma outra realidade. A dance music não pode ser sofisticada, nem ter muitas batidas diferentes. Eu procurei alguém que vivesse essa cultura, que fosse DJ", conta.

Estréia
O show de Seal em São Paulo marca a estréia do espaço HSBC Brasil, antigo Tom Brasil. Dentre as novidades, está a implantação de um sistema de som alemão - segundo a organização, um dos mais potentes do mundo -, que rendeu um investimento estimado em 1 milhão de euros.
 

Redação Terra
 
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