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Música
Quinta, 20 de março de 2008, 08h27 
"Não quero fazer parte da hipocrisia da música", diz Pitty
 
Thiago Kaczuroski
 
Ricardo Brito/Especial para Terra
Pitty diz que o videoclipe é uma forma de juntar música e cinema
Pitty diz que o videoclipe é uma forma de juntar música e cinema
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A cantora Pitty gravou na última quarta-feira, em São Paulo, seu mais novo clipe, da música De Você, com direção de André Moraes. Em entrevista exclusiva ao Terra nos camarins, antes da gravação, a cantora falou sobre o vídeo, sua ligação com os fãs e sua visão do sucesso.

» Veja mais fotos de Pitty em bastidores de videoclipe

Você é uma cantora que faz muitos clipes. O que te atrai nesta linguagem, e o que você mais gosta nas gravações?
Para a gente é sempre divertido... Eu gosto muito de cinema, e o videoclipe é uma forma de juntar música e cinema. É lúdico, você pode ser quem você quiser.

Como surgiu a idéia de fazer um clipe cheio de zumbis?
A idéia foi do André. Nos conhecíamos há bastante tempo, desde a trilha sonora do filme Meu Tio Matou um Cara, na qual canto em uma faixa. A gente ficou amigo e ele me chamou para fazer uma ponta no novo curta dele, Charles Manson, aí ele disse, "vamos fazer um clipe". Ouvimos as músicas e o processo ficou muito na mão dele, ele fez o roteiro, viajando nesse universo de zumbis do diretor George Romero, que ele adora.

No fim do ano passado você gravou seu primeiro DVD ao vivo. Ficou contente com o resultado?
O DVD ficou demais. Eu sou suspeita para falar, mas também sou muito crítica, o que diminui o fato de eu ser suspeita. Acho que a gente conseguiu chegar no ponto onde queria. Conseguimos fazer algo de verdade, em uma indústria onde o que mais falta é verdade. Demos a cara para bater. O que mais vemos é DVD ao vivo em que os caras vão para estúdio fazer retoques na gravação. Isso não é ao vivo! O nosso é o que rolou ali no dia. Tem muita hipocrisia na música e eu não quero fazer parte disso.

Mesmo sendo uma cantora que vende bastante, tem muitos fãs, aparece na grande mídia, você ainda tem uma ligação muito forte com o underground. Como você concilia essas duas coisas?
Eu acredito que o mainstream e o underground não precisam ser coisas incompatíveis. Há um lugar que você pode ocupar sendo comercialmente viável sem ser vendido. Não sei de onde as pessoas tiraram essa idéia de que a arte comercial é necessariamente leviana e inútil. Eu ainda sou idealista, quero fazer algo que venda mas que tenha uma certa relevância artística. A gente deixou de fazer muita coisa. Podíamos ter vendido muito mais discos, mas não quero fazer algo que eu vá me arrepender no futuro, só para vender mais.

Você chegou a cursar a faculdade de música na Bahia. O que você traz dessa época na sua carreira hoje em dia?
A faculdade de música, ou uma parte dela, me ajudou demais. A gente estava até comentando isso vindo pra cá. Na época em que eu estudava diariamente, eu lia partitura, tocava piano, coisas que eu parei de praticar. É como um idioma. Você sabe, mas se não praticar, perde a fluência. Eu sinto falta disso hoje, por isso quero voltar a estudar, para conseguir ler partitura, essa coisa gráfica, de ter a música ali, na sua frente.

Você se sente parte dessa nova geração de cantoras que surgiu nos últimos anos, principalmente na MPB, mas que trouxe de volta uma certa atenção sobre as intérpretes brasileiras?
Não. Eu não me sinto parte de geração nenhuma. O povo fala muito de "a roqueira baiana", mas eu não me sinto baiana. Eu estou aqui em São Paulo mas eu não sou paulista, eu estou no Brasil mas talvez eu nem seja tão brasileira assim; eu sou de lugar nenhum. Quando a gente surgiu, éramos meio sozinhos. A gente não veio na onda do mangue beat, nem da no emo, nem de p... nenhuma.

Como você vê a responsabilidade de ter adolescente que nestes 5 ou 6 anos cresceram ouvindo suas músicas?
Eu não sinto essa responsabilidade. Acho engraçado quando alguém fala dessa "responsabilidade do artista". Artista precisa fazer música, pintar quadro, fazer filme, não educar ninguém. Quem tem que educar é professor, pai e mãe. Artista pode ter um lado social, mas quem faz projeto social é o governo. Não tem essa obrigação de ser politicamente correto.

Mas você foi, por exemplo, escolhida pela audiência da MTV como um ídolo. Isso te incomoda?
Ser ídolo é uma coisa natural. Mas isso não significa que eu precise mudar a minha postura e nem fazer coisas messiânicas. Não tenho que me sentir o Buda. A gente precisa ser positivo na vida não porque é artista, mas porque é ser humano.

Você acha que há exagero dos seus fãs em algum momento?
Pode até rolar exagero em algum momento, mas isso não é uma coisa exclusiva da galera que curte o nosso som. É culpa dessa coisa do culto à celebridade. Acho até que os meus fãs são tranqüilos em relação a isso porque eu nunca estimulei esse culto e nunca me coloquei em pedestal.

Mesmo tendo grande destaque na mídia, você consegue manter sua vida pessoal longe de especulações. Porque todo esse "mistério" sobre a sua intimidade?
Eu mantenho a minha vida pessoal restrita a mim porque eu estou aqui para mostrar o meu trabalho, minha vida não é interessante pra ninguém além de mim. Não quero vender a minha vida, quero vender o meu trabalho.

Mas a vida pessoal não vem junto com o trabalho?
Sim, mas existe um limite para expor isso. Senão você se torna um fantoche. Tem gente que acha bacana ter a vida acompanhada por todo mundo como uma novela. Eu não acho, acho invasivo e lamentável. E geralmente os exemplos de gente que faz isso, é porque não produz nada artístico relevante.

Qual das suas músicas você escolheria para definir seu som?
Escolher música é igual escolher filho, não dá para fazer isso. A gente faz tanta coisa... Escolher uma só é limitar demais o meu trabalho, e se tem uma coisa que eu não gosto é limitação.
 

Redação Terra
 
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