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 A banda Los Pirata durante entrevista para o Terra |
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Direto de San Pablo para o mundo, o trio Los Pirata surge conquistando espaço com sua mistura de surf music acelerada, blues rascante, rock pré-Elvis e trilha sonora de desenho animado (ou de um filme de Quentin Tarantino) com letras em "portunhol" e muita ironia. Ou "música rock, rápida, bolero, música latina e MPB mexicana", como disseram os próprios em entrevista ao Portal Terra após os dois shows - seguidos - de lançamento do primeiro álbum, En Uma Onda Neo-Punque, no teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.
Veja o clipe de Nada 
Ouça Blackbird, cover dos Beatles, ao vivo no show de lançamento 
Confira entrevista 
Enquanto metade da cidade sofria com fortes chuvas, do outro lado do mapa, mais precisamente na Pompéia, um número grande de pessoas enfrentava fila em busca de um lugar para assistir ao show do trio formado por Jesús Sanchez (baixo e voz), Loco Sosa (bateria e voz) e Paco Garcia (guitarra e voz). A assessora do Sesc Pompéia tentava explicar a aglomeração à reportagem do Terra. "Cabem 400 pessoas no teatro. Deve ter bem mais, se contarmos as pessoas em pé, as sentadas na escada e as que estão nos corredores laterais". Se o teatro estava completamente lotado, do lado de fora a fila não diminuía. Na banca da Volume 1, selo que lançou o CD En Uma Onda Neo-Punque, o álbum já havia esgotado. "Só trouxemos 50 CDs e vendemos tudo em meia hora. Eu achei que as chuvas fossem afastar o público, não imaginava que fosse ser assim. Se tivéssemos trazido 200 CDs, venderíamos tudo", avaliava o vendedor.
Como não dá para chorar sobre a tequila derramada, no palco, o Los Pirata fez uma apresentação irrepreensível. O trio segue na contra-mão do underground nacional, quase sempre caracterizado por músicos que não sabem tocar muito bem, mas tentam mostrar que 'sabem' tocar muito bem. No caso da banda, os músicos são excelentes, mas fazem a música mais primária do mundo. Essa mistura de rock dos anos 50 com surf music, blues com country e punk, música latina com música popular brasileira mexicana diverte e conquista o público que já decorou (sem muita dificuldade) letras como Nada (que concorreu ao prêmio de Demo Clip no Vídeo Music Brasil da MTV em 2001) que diz "nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, en mi corazón".
No palco, olhando de frente, temos à esquerda Jesús Sanchez tocando seu Fender Six, um baixo de seis cordas e afinação de guitarra. "É um instrumento andrógino", brinca o baterista Loco, que não fica atrás com seu instrumento. No centro do palco, ele massacra o kit infantil de uma bateria de brinquedo. "Faz três anos que estou tentando quebrá-la e não consigo", ironiza. "Se alguém tiver alguma idéia de como eu possa conseguir isso, me escreva", pede humildemente o baterista. No lado direito, Paco Garcia canta, toca guitarra e solta os 'efeitinhos' especiais que completam a festa.
Por mais difícil que seja conversar com seriedade com o grupo (as entrevistas em vídeo, ao lado, não deixam mentir), é possível contar a história da banda de forma rápida, sem perder a graça. O Los Pirata foi formado em 2000 por João Erbetta (o Paco), Marcelo Effori (o Loco) e Sérgio Villaça (Jesús). De músicos de estúdio requisitados com trabalhos ao lado de gente como Arnaldo Antunes, Lu Horta e Moisés Santana, o trio decidiu investir no surf-punk, buscando inspiração em Pixies e Beatles (matadoras versões de Blackbird do quarteto de Liverpool e Run Devil Run de Paul McCartney marcaram presença no show). O nome da banda é uma homenagem ao personagem de Didi Mocó dos Trapalhões.
Quatro anos após surgir, a banda faz seu show de lançamento precisando repetir a apresentação para o público que ficou do lado de fora do teatro. "Eles vão fazer outro show seguido depois desse", me explica a produtora da banda, enquanto o teatro é esvaziado para a segunda apresentação. Com o ambiente novamente lotado, o trio retorna para mais 50 minutos de rock e diversão, na mesma medida. Quase ao final, Paco pergunta para a platéia. "Quantos de vocês estavam no primeiro show?". Uma meia dúzia de gatos pingados levanta a mão. Ou seja, mais de 400 pessoas esperaram do lado de fora para verificar o que tem de bom o grupo que ganhou capa do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo no final do ano passado e acaba de ser apontado como responsável por um dos melhores discos de 2003, segundo a Outracoisa, revista de Lobão. O guitarrista sorri, vira para Loco que conta "un, dos, tres", e a fábrica de barulho volta a funcionar. Eis uma banda para se prestar bastante atenção. O site do grupo dá mais informações sobre os próximos passos dos Los Pirata.
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