| Marcos Hermes/Divulgação |
 Bob Dylan se apresentou para cerca de 6 mil pessoas no RioArena |
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Bob Dylan quase não falou em sua passagem pelo Brasil, que terminou sábado à noite, com um show para cerca de 6 mil pessoas no RioArena, em Jacarepaguá, no Rio. Como nos dois shows que fez em São Paulo, o artista pouco se comunicou com a platéia. Pelo menos verbalmente: aqui, foi um "thank you, friends" (obrigado, amigos), no início do bis, e olhe lá. Era seu curto agradecimento pela quente recepção que teve dos cariocas.
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O RioArena estreou em shows internacionais com certa confusão: filas para todos os cantos e boa dose de desinformação para o público, que pagou entre R$ 150 e R$ 380 pelo show. Os aborrecimentos deram lugar à reverência ao músico de 66 anos (e pouca voz) a partir das 21h38, quando Rainy Day Women #12 & 35, com seu histórico refrão que diz que todo mundo tem que ficar "doidão", iniciou a apresentação de 17 músicas.
Mais do que cantar, Dylan narrou a própria obra, com tempero rouco e bêbado, à Tom Waits, e um sotaque para lá de mastigado. Tocou acompanhado por cinco músicos com tiques de banda de "saloon" e, sem dizer um "ai", conduziu como bem entendeu o público, que ia de adolescentes a sessentões, no RioArena parcialmente vazio - segundo a organização, apenas seis mil ingressos foram colocados à venda, embora o espaço comporte até 13 mil pessoas.
O som, porém, esteve impecável e ajudou a conquistar o público, que reagiu entre o furor em canções conhecidas, como na versão emocionada de Like A Rolling Stone, e o silêncio respeitoso em músicas mais recentes, caso de Spirit On The Water. Os arranjos iam da delicadeza country ao vigor do blues e explosões roqueiras, caso de Highway 61 Revisited, um dos pontos altos do show.
Dylan tocou guitarra nas três primeiras músicas, depois pulou para o teclado, onde ficou até o bis, com a nova Thunder On The Mountain e a ancestral Blowin' In The Wind. Essa deu ao público o refrão tão esperado para cantar junto e voltar para casa de alma lavada, após duas horas de um alto, potente e bem tocado show de rock. Mesmo sem falar nada, Dylan se comunicou - e muito bem - com os cariocas.
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