| Flávio Wild/vc repórter |
 Iron Maiden reúne metaleiros dos anos 80 em show |
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Cerca de 15 mil pessoas literalmente superlotaram o Ginásio do Gigantinho em Porto Alegre na noite da última quarta-feira para assistir ao show do sexteto britânico Iron Maiden. Durante quase duas horas o público, em sua maioria espremido, viu o grupo desferir golpes musicais impiedosos com uma visita aos clássicos da banda ícone da geração "metaleira" da década de 80.
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A apresentação na capital gaúcha encerra a etapa brasileira da turnê sul-americana da banda, após shows em São Paulo e Curitiba. Para o público da cidade o reencontro foi ainda mais marcante: a última vez que a "donzela" - como é conhecida a banda entre os fãs - esteve em Porto Alegre foi no distante ano de 1992 por ocasião da turnê do álbum Fear Of The Dark.
A noite musical começou às 20h com a apresentação da banda de Lauren Harris, filha do baixista e "chefão" do Iron Maiden, Steve Harris. A apresentação de menos de meia hora foi mais que o suficiente para constatar que era a oportunidade ideal para ir ao bar buscar refresco ao calor intenso que fazia no Ginásio.
Às 20h55, com as luzes ainda acesas, o sistema de som toca os acordes de Doctor, Doctor, do UFO. A faixa é tradicional nas aberturas de shows do Maiden. Com as luzes já apagadas um vídeo nos telões mostrava a saga da banda durante a turnê. O avião personalizado e o vocalista Bruce Dickinson como o comandante da aeronave.
O discurso do premiê britânico Winston Churchill anuncia a chegada da banda com o primeiro soco: Aces High do disco Powerslave, de 1984. Sem trocar de álbum, o Maiden solta o segundo golpe com 2 Minutes to Midnight, Revelations, do disco Piece of Mind, que fecha a trinca de abertura.
De farda vermelha e bandeira da Grã-Bretanha em punho, Bruce Dickinson apresenta The Trooper. Estava declarada guerra aos ouvidos dos mais novos e memórias dos fãs mais velhos ¿ que não eram raros entre o público. Vieram ainda Wasted Years, The Number of The Beast e Can I Play with Madness.
Com palco humilde para os padrões do Maiden, a banda seguiu desfilando clássicos e brandindo suas guitarras com uma seqüência de golpes. A péssima acústica do local bem que se esforçou para atrapalhar, mas a apresentação seguiu quase irretocável com a epopéia musical de Rime of The Ancient Mariner, Powerslave, Heaven Can Wait e Run to the Hills.
Fear Of The Dark, que completa 16 anos, foi a faixa mais recente do show e a única dos anos 90. Já a mais velha é quase trintona: Iron Maiden foi a única que não foi gravada originalmente na voz de Dickinson. Faixa do álbum homônimo e debutante do grupo, a versão original tem o vocal quase punk de Paul Di¿Anno.
Já no bis, foi com essa música que deu-se o ponto alto da apresentação no que se refere a atrações extra-musicais. Um boneco animado gigante do mascote da banda Eddie surge no palco disparando sua arma laser contra os seis integrantes, trajado como na capa de Somewhere in Time.
O público foi submetido ainda a Moonchild e The Clairvoyant do Seventh Son of a Seventh Son. Para encerrar a noite, o grupo escolheu Hallowed Be Thy Name, que fecha também o tracklist do disco The Number of The Beast.
Fôlego, postura e camisa na cara
Mais novo entre os integrantes da banda, Dickinson, 49 anos, é sem dúvida o grande condutor no palco. Fôlego para pular de um canto a outro não falta. Já para algumas músicas, sim. As esticadas em notas abertas que consagraram o estilo do Maiden parecem ter ficado pra trás.
A própria postura do grupo abrandou. A empolgação constante e uma quase devoção com os fãs durante o show, ao menos na noite de ontem, pareceu mais branda. Ainda assim, Dickinson encontrou a chance de brincar com o público quando um telefone celular foi jogado ao palco e simulou ligar para a própria mãe.
Ou ainda durante a introdução melódica da última música da noite quando uma camisa do Internacional atingiu em cheio o rosto do baixista Steve Harris. "Belo tiro", soltou o vocalista entre um verso e outro.
Organização
Se sobrou talento ao Maiden para conduzir a noite, faltou organização aos produtores. O ginásio foi lotado ao seu extremo e muita gente na pista e na arquibancada deve ter visto pouca coisa no palco.
Para completar, as grades de contenção que separavam a pista de outros setores não foram sudicientes. Lá pela terceira música uma delas foi posta a baixo e o setor das numeradas tomado por gente de todos os lados.
Promessa de volta
Assim como fez nos shows de São Paulo e Curitiba, o Iron Maiden prometeu voltar à cidade em breve para uma outra apresentação. O próprio Dickinson pareceu questionar o fato do show ter sido colocado num Ginásio.
"Há um estádio aqui do lado. E nós vamos voltar aqui e não vamos jogar futebol. Vamos tocar rock and roll."
A banda formada ainda pelos guitarristas Dave Murray, Janick Gers e Adrian Smith, e pelo baterista Nicko McBrain segue em turnê pela América do Sul e se apresenta ainda na Argentina, Chile e Porto Rico.
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