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Festival de Verão 2004
Segunda, 2 de fevereiro de 2004, 09h45 
Ecletismo marca o 6º Festival de Verão de Salvador
 
Jane Fernandes
 
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Promovendo a convivência entre os riffs de guitarra do mais puro rock'n'roll, os cavaquinhos que marcam a levada dos pagodes, os rataplans dos tambores dos grupos percussivos e as pick-ups da música eletrônica, o Festival de Verão reafirmou sua principal marca: o ecletismo musical. No caldeirão de ritmos que ferveu durante cinco noites no Parque de Exposições de Salvador, teve música para todos os gostos. Da menininha que nem pôde ir sozinha, ao casal apaixonado há tantos anos, passando pelo adolescente que ainda quer conquistar o mundo, todos tiveram o momento de "adoro essa canção".

Tamanha profusão de ritmos era uma dor de cabeça para a galera do "o que tocar eu danço". O que fazer entre um show e outro - Dançar ao som do bate-estaca da tenda eletrônica, seguir atrás do trio - onde diz Caetano Veloso "só não vai quem já morreu" - ou aproveitar os corpos colados do forró para facilitar a paquera - O estudante Thiago Almeida, 20 anos, resolvia a questão se transformando em um verdadeiro andarilho, que não dispensava sequer o pop-rock misturado com o barulho do skate batendo na rampa, que rolava no fundo do Barracão Universitário.

Apesar da disposição para conhecer todos os points do evento, o estudante não teve dúvidas na hora de escolher seu local cativo. "Fico mais no palco principal", diz, revelando a preferência por ouvir as vozes das atrações de fama nacional, tenham elas o sotaque mineiro do Jota Quest, o acento paulista dos Titãs ou a ginga baiana do Psirico. Encarando o terceiro dia de festival, ele só não pareceu atraído pelo inglês de Derrick Green, vocalista do Sepultura.

Mas nem todos têm ouvidos assim tão "democráticos" e o som pesado da banda mineira, que estreou no festival com seu metal - estilo que pela primeira vez integrou a miscelânea musical da festa -, faria muito mais a cabeça do estudante de jornalismo Felisberto Bulcão, que saiu de casa exclusivamente para assistir ao Camisa de Vênus. "Até acho legal esse clima de convivência entre as diferenças. Mas chega um ponto que começa a ficar esdrúxulo", declara, reclamando da sua amada banda estar imprensada entre a galera do reggae e do pagode.

Para Bulcão, o ideal seria que as atrações centrais seguissem a mesma lógica do Palco Pop, onde cada dia teve um tema específico. Garantida nas noites do rock e do reggae, a uniformidade de ritmos não esteve tão presente no dia dedicado às novas tendências que somou o pop baiano com toques de dance às firulas vocais da banda que toca sem instrumentos. Já na Noite Raízes, as origens foram as mais diversas e a percussão de Peu Maurry abriu alas para um desfile de hip hop, coco e maracatu. Lá, a grande novidade ficou por conta da presença dos blocos afros que dominaram o palco na noite de ontem.

Nesta segunda, quando o som local deve ser produzido apenas pelas vassouras e pelo desmonte das estruturas de lona, madeira e metal, muitos ainda sentirão o gostinho de todos os ingredientes do caldeirão. Talvez uma lembrança divertida do vendedor que em meio à toda zuêra ainda gritava "olha a cerveja", quem sabe a narração do cruzamento inusitado entre a voz potente de Margareth Menezes e os agudos de Cindy Lauper do hit tocado numa tenda de patrocinador. Ou ainda uma lembrança muda, da pré-adolescente que de tão empolgada com os meninos do Br'oz, acordou sem voz.
 

Correio da Bahia
 
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