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Festival de Verão 2004
Domingo, 1 de fevereiro de 2004, 11h45 
Exigências dos músicos surpreendem em Salvador
 
Jairo Costa Júnior
 
Coperphoto/Divulgação
O Sepultura pediu fax e internet
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Enquanto o público aguarda com ansiedade o desfile de atrações da noite, Carlinhos Brown, o Carlito Marrón, algo meteórico, brada: "Sempre sobra pra mim. Não tem jeito mesmo". É naquela célula do festival, restrita a uns poucos mortais, que o universo das celebridades revela toda sua força. Reclamações, tietagem, excentricidades, pipocos de flashes, luzes, câmara, ação e o burburinho nos camarins fazem parte da rotina de quem está no backstage do evento. Além, é claro, das indefectíveis exigências dos astros. E nesse quesito sobra um rosário de curiosidades.

Algumas listas chamam a atenção pelo insólito. Quem poderia imaginar que os metaleiros do Sepultura, cheios de "atitude", queriam salada e algumas caixinhas de leite achocolatado. Nada de álcool. O principal pedido da banda mineira - um escritório completo, com fax, internet e duas linhas telefônicas - não pode ser atendido, de acordo com a produtora Isaura Heck, responsável pelo rol de exigências dos artistas.

Difícil não se impressionar também com o polêmico cantor carioca Marcelo D2 (inclusive, teve show cancelado) que exigiu uma placa de "é proibido fumar" na porta do camarim, a exemplo das bandas Los Hermanos e Os Paralamas do Sucesso. Tem ainda a, digamos, galera etílica. Zeca Pagodinho, como já era esperado, queria 36 cervejas. O Rappa foi mais longe e pediu 200. Já o Jota Quest listou vinho (branco e tinto), champanhe e whisky. Que sede!

O pedido de Daniela Mercury, como boa filha-de-santo, foram rosas brancas e amarelas, reverências a Oxalá e Oxum, respectivamente. Já o da titia Rita Lee foram doces, muitos doces, uma bandeja cheia deles. Para os irmãos Sandy e Junior, chazinhos gelados, espaguete e penne (atenção, maldosos, controlem-se).

Isaura conta que, apesar de tantas exigências para atender, ninguém ainda deu trabalho esse ano, ao contrário de 2003. A produtora se refere ao cantor Lulu Santos e seus conhecidos arroubos de popstar. "O suco dele tinha que ser feito na hora. Ninguém podia chegar perto do seu camarim e ele ainda quis uma passadeira de roupa exclusiva", relembra.

Contudo, o backstage não é feito somente de exigências. É naquele espaço que alguns artistas se despem das vestes da fama. Paula Toller, do Kid Abelha, contrariou a pecha de antipática e era só sorrisos na porta do camarim na quinta-feira. Participou de esquetes televisivas, conversou com jornalistas, produtores e os tradicionais arrozes-de-festa, e acenou repetidamente para o público.

Embora os fãs não tenham acesso à área, é impossível escapar da tietagem nos bastidores. O estudante e músico Lucas Menezes, 19 anos e uma vasta cabeleira, ficou horas grudado na grade de proteção do backstage para tentar falar com algum integrante do Sepultura. "Adoro a banda, tenho todos os discos. Só queria falar com eles", contou.
 

Correio da Bahia
 
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