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Festival de Verão 2004
Sábado, 31 de janeiro de 2004, 13h11 
Festival de Verão reúne platéia heterogênea
 
Luciana Barreto
 
Coperphoto/Divulgação
Paula Toller, do Kid Abelha, conseguiu namorados imaginários
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Um solo de guitarra da banda Kid Abelha, anunciando a canção seguinte do repertório, foi o suficiente para despertar o furor de um anônimo que, alheio à multidão ao redor, avisou, com toda convicção do mundo."Essa música Paulinha Toller canta para mim".

A revelação bombástica só pôde ser escutada por aqueles que estavam mais próximos, e o rapaz entrou num êxtase tão verdadeiro que seria um tanto inconveniente atrapalhar o momento sublime da declaração de amor. O referido "namorado" de Paula Toller parecia normal, de calça jeans e camiseta, figurino comportadinho. Mas houve de tudo no festival. Fosse com o intuito deliberado de imitar seu ídolo ou seguir um estilo definido - ou não - cada personagem adotou um visual e comportamento que, indistinguíveis no meio da massa, eram inconfundíveis a um olhar mais atento. Mauricinhos, patricinhas, browns, nerds, hippies, roqueiros, pagodeiros - e, claro, quem não se encaixava em rótulo nenhum - fizeram o melhor da festa.

Protegendo-se da chuva numa sombrinha do sorveteiro, Cristina Nery evitava molhar o figurino cuidadosamente escolhido: sandália plataforma, tomara-que-caia e uma saia meio rodada, que compunha o vestuário de centenas de outras meninas. "Tá super na moda", constata. A preocupação maior de Cristina nem era molhar a roupa. "De escova é que não vou sair daqui, pra depois ficar com o cabelo desse tamanho". E não é muito sem graça ficar parada, se espremendo embaixo de um sombreiro, enquanto um monte de gente pula de alegria embaixo da chuva? "Não faço a menor questão de assistir à Asa de Águia", desdenha.

Muito antes dos shows começarem também era possível ver uma troca de amores pouco convencional: Windson Campos fingia que ia bater na namorada com um skate, enquanto carregava o outro skate na mochila. Seu amigo Fabrício Torres adotava o mesmo estilo, vestido com uma calça folgada, camiseta e tênis. "Vim principalmente por Los Hermanos e pela tenda eletrônica". Mas, apesar da aparência de underground, Fabrício não era tão alternativo assim: "Vai ter foto no jornal, é? Devia fazer, vou ser celebridade".

O produtor musical Tadeu Mascarenhas era a cara de uma celebridade. Com a barba comprida, lembrava o vocalista do Los Hermanos. Tietagem? Nem pensar. "Eu comecei a criar barba muito antes dele. Pode reparar, a minha é muito maior", diferencia. Com um estilo completamente diverso do de Tadeu, o estudante de psicologia José Bonifácio conceituou, com precisão terminológica. "Los Hermanos é a única banda da atualidade que consegue exprimir o mínimo da célula matriz de uma gigante árvore de sentimento. Los Hermanos é minha vida", discursa.

Diante da cara de incógnita da repórter, o amigo e também fã Tiago Sampaio adverte. "Cuidado, ela vai deturpar tudo". Mas entre os abordados pela reportagem, o maior fã da banda parecia mesmo ser Marcelo Bezerra, 27 anos. Ele veio de Paulo Afonso, viajando 500km só para assistir ao show. "No caminho, caíram duas pontes com essa chuva da peste, 10h sentado num ônibus, mas eu não desisti". Seu figurino era básico, bem certinho, com direito a óculos. Mas na figura, um detalhe chamava a atenção. Ele carregava um pacote de serpentina na mão. "Foi para jogar na hora da música Todo Carnaval tem seu Fim. O clip é cheio de serpentina, daí eu trouxe também. Umas meninas reclamaram, porque eu sujei o cabelo delas com confete, mas depois limpou". Com bermuda, camisa de marca e colarzinho no pescoço, os amigos Silvio Henrique e Breno Mota não pareciam estar muito ansiosos para nenhuma atração. "Vim mais por Asa de Águia", diz Breno, omitindo os outros interesses. Apoiado no pescoço de um colega, Silvio - também conhecido como Bibi - tentava beijar uma menina que também estava no pescoço de um amigo.
 

Correio da Bahia
 
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