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Festival de Verão 2004
Quinta, 29 de janeiro de 2004, 12h11 
Percussão dá o tom no Palco Pop nesta quinta
 
Ana Cristina Pereira
 
Divulgação
Carlinhos Brown, mentor do Hip Hop Roots
Carlinhos Brown, mentor do Hip Hop Roots
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A percussão, em suas variadas vertentes, dará o tom à noite de hoje do Palco Pop do Festival de Verão. Ela é o elemento central no trabalho de Peu Meurrahy e do grupo Hip Hop Roots, e está bem demarcada no dos grupos Azôgue e Barravento. É bom deixar claro, no entanto, que cada um deles tem um perfil bem diferenciado. A Azôgue, por exemplo, que abre a noite, às 10h30, investe numa sonoridade nordestina, buscando influências no côco, no maracatu, na ciranda e no forró.

O percussionista Peu Meurrahy, que se apresenta depois da Azôgue, leva ao Parque de Exposição seus pneumáticos, tambores idealizados e construídos por ele, tendo como caixa acústica pneus de variados tamanhos e veículos. "Cada um tem um timbre diferente", diz Peu, que estréia solo no festival. Ele já se apresentou com artistas como Daniela Mercury, mas esta é a primeira oportunidade para mostrar seu trabalho mais autoral para uma platéia tão diversificada.

Peu explica que o repertório é todo formado por composições suas e de alguns parceiros, como o músico Leonardo Reis, e informa que fará apenas duas releituras: Olhos Coloridos (Sandra de Sá) e Abra o Olho (canção de Gilberto Gil da década de 70, que Peu teve autorização para regravar). Ele se apresenta com a banda Papajacasound, formada por dez integrantes, cinco deles tocando os tambores de pneus. "Vamos mostrar nosso som emborrachado", arremata.

Saem os penumáticos e entra o arsenal percussivo do Hip Hop Roots. Cria de Carlinhos Brown, o grupo nasceu em 2002 no Candeal, resgatando, segundo o próprio mentor, o clima do grupo percussivo Vai-Quem-Vem, dos anos 80. Para quem não lembra, o Vai-Quem-Vem é o embrião de todo movimento percussivo no Candeal, foi gravado por Sérgio Mendes no premiado disco Brasileiro e acompanhou Gilberto Gil numa turnê.

Partindo da experiência percussiva (a partir do surdo virado, instrumentos como timbau, berimbau, pandeiro e atabaque, entre outros), o grupo experimenta a fusão com violinos, guitarras, samples e processadores de som. "Vamos apresentar um trabalho autoral, com músicas do nosso show de estréia e do desfile que fizemos, ambos em Nova York", informa Felipe de Souza, diretor musical do grupo. A noite será encerrada pelo grupo Barravento, que está há 12 anos na estrada, com um trabalho da música regional baiana.
 

Correio da Bahia
 
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