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Pela primeira vez nos últimos anos a indústria fonográfica abriu hoje, sábado, seu encontro anual no Midem de Cannes (sudeste da França) com um certo otimismo, derivado sobretudo das notícias de novas tecnologias que podem combater a pirataria.
A aparição de novos sistemas que incentivam os usuários a pagar pelo acesso à música na internet se tornou a estrela da quinta edição do Midemnet, a prévia tecnológica do 38º Mercado Internacional do Disco e Edição Musical (Midem).
Os presentes ao Palácio de Congressos não esqueceram que a queda das vendas de CDs alcança níveis históricos e que as trocas ilegais gratuitas de arquivos pela internet são a principal causa.
À espera dos dados oficiais, os primeiros estudos mostram que as vendas de música no mundo caíram 8,7 por cento em 2003, quinto ano consecutivo de queda.
A redução no faturamento das gravadoras ocorre em todos os países, mas são maiores naqueles com mais usuários com conexões a cabo ou outras de alta velocidade.
As gravadoras parecem enfrentar este panorama penoso com menos resignação que em anos anteriores, e vários de seus responsáveis consideram que em 2004 a tendência poderá se inverter.
Assim, os grandes líderes deixaram de perceber a rede como um inimigo de seu negócio, para abordá-la como um aliado em potencial.
Pode-se deduzir nos debates do Midemnet que as gravadoras estão em plena revolução para deixar de serem fabricantes de CDs e tornarem comerciantes de direitos autorais, em quaisquer de seus vários suportes.
A impossibilidade de obrigar os internautas a pagar por algo que podiam obter gratuitamente levou os grandes selos a avaliar a possibilidade de combater os sites e programas de troca de música em seu próprio campo de batalha.
O aumento da repressão sobre os "piratas" da rede se combinou com uma oferta atraente de música na internet a um preço razoável.
O sucesso nos Estados Unidos do sistema IPod da Apple marcou o Midemnet e as grandes gravadoras sonham importá-lo o mais rápido possível para a Europa.
Este dispositivo eletrônico permite o usuário se conectar a uma página web, fazer o download de dviersas músicas a preços módicos e escutá-las em qualquer lugar. O "IPod" convenceu um grande número de consumidores a pagar para baixar as música da rede.
Desde seu lançamento em abril do ano passado, a Apple assegura ter posto no mercado dois milhões de aparelhos, (apesar de seu preço, que na versão mais simples supera os 350 euros) e através de seu site vendeu 30 milhões de músicas a dez centavos de dólar cada.
Embora ainda haja muitas questões a resolver, a iniciativa da Apple enche de esperança o setor que viu também como há outros mercados que merecem ser explorados.
Outra estrela do Midemnet foi representada pela incipiente venda de música para os telefones celulares, uma janela que pode permitir às gravadoras entrarem em um mercado muito superior ao da internet, tendo em vista que no mundo há 1,5 bilhão de celulares e apenas 440 milhões de computadores conectados à rede.
Atualmente, o grosso do negócio se centra na venda de melodias para os telefones que no Reino Unido, por exemplo, superaram o número de CDs em 2003.
Mas os profissionais do setor olham para este mercado com otimismo e já pensam na venda de músicas através do telefone celular e inclusive de videoclipes, uma área que alguns grandes selos analisam com interesse.
Todos os caminhos convergem para a venda de novos suportes, como os novos CDs de melhor qualidade de som ou os DVD musicais, soluções que podem ser mais úteis que a repressão para acabar com a pirataria.
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