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 The Datsuns |
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A estréia do quarteto The Datsuns em CD é quase que um "greatest hits". O álbum homônimo que ganha edição nacional via Sum Records é um pequeno compêndio do que a banda lançou em single nos últimos três anos. Das dez canções, seis foram lançadas em single. A síntese da banda é a de uma guitarra suja e cortante duelando com a bateria seca e pesada, responsável por cadenciar a porrada enquanto o vocal surge soterrado na mixagem, entre o blues e o garageiro.
Ouça Harmonic Generator
A escola dessa barulheira toda chamada The Datsuns é das melhores: o som das guitarras remete ao Jimmy Page metaleiro do Led Zeppelin em algumas passagens enquanto outras trazem a memória o Angus Young blueseiro do AC/DC. Do choque dessas duas influências principais surge uma das bandas mais empolgantes do cenário atual do rock mundial.
The Datsuns, o disco, é acachapante. Antes de prensar as dez canções no álbum, a banda batalhou muito nos botecos da vida. Formado em 1996, em Cambridge, na Nova Zelândia, o The Datsuns só viu a carreira decolar quando assumiu a produção de seus lançamentos e começou a lançar singles independentes.
O primeiro deles era um vinil sete polegadas, duplo lado A (a banda já destacou, de cara, duas canções sem desmerecer nenhuma). A dobradinha Super Gyration/Hootchie Mama, lançada em agosto de 2000, obteve uma boa resposta do público e a banda seguiu.
Na seqüência, quatro petardos sonoros: Fink For The Man (maio 2001), Lady (dezembro 2001), Sittin' Pretty e In Love (ambos lançados em setembro de 2002). Esses quatro primeiros singles estão compilados em The Datsuns. Das dez canções do disco, seis já se transformaram em single.
O álbum abre com Sittin¿ Pretty. Com riff circular e bateria explosiva, a canção lembra a porrada Whatever Happened To My Rock And Roll do Black Rebel Motorcycle Club. A semelhança vai até o refrão, mas é deixada de lado no excelente solo à lá Page. Na seqüência, a acelerada MF From Hell, novo single do quarteto, promete incendiar o inferno. O riff, novamente, lembra Led Zeppelin.
Lady é mais garageira, com bateria marcada e refrão cantado numa levada que remete aos primeiros discos do AC/DC. Harmonic Generator é puro Thin Lizzy. Tem riff sem vergonha de guitarra, vocal teatral e backing vocal docinho que contrasta com a tosqueira da música. Lá pelo meio, guitarras hard rock marcam presença.
A faixa mais AC/DC do disco se chama What Would I Know, guitarras a frente, um vocal com sotaque blues, refrão que cresce para terminar com um berro. Microfonias vindas do além marcam a entrada de Fink For The Man que acelera como um dragster em direção ao precipício, desembocando em In Love, com teclados que lembram Jon Lord do Deep Purple na introdução de Hush.
Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Thin Lizzy: as influências do The Datsuns poderiam colocar a banda na linha de hippies setentistas, como o Black Crowes, ou levá-los para o lado farofa do estilo, que tem no Andrew WK e no The Darkness os maiores expoentes atuais. Porém, optando pela sujeira, o The Datsuns rivaliza cabeça a cabeça com os suecos do The Hives e do The Hellacopters, e o duo americano White Stripes, grandes e respeitados nomes da cena roqueira mundial da atualidade. E, por via das dúvidas, já que existe sempre alguém para dizer que o rock morreu, esse quarteto tem muito a fazer pelo estilo.
Lançado no final de 2002 na Europa e nos EUA, The Datsuns chega ao Brasil no momento que a banda já deve fomentar o segundo disco. A banda deve mandar mais barulho logo, logo.
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