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"Naïve" é o nome do selo pelo qual a cantora Carla Bruni grava seus álbuns. Traduzida para o português, a palavra significa ingênuo, simples, cândido. Nada mais adequado à música que a ex-modelo ítalo-francesa - agora mais famosa por ser 'paramour' do atual presidente da França, Nicolas Sarkozy - compõe e interpreta.
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Seu canto é suave, quase sem fôlego, sem arroubos de dramaticidade ou da sensualidade sussurrada normalmente associadas às chansons gaulesas. A instrumentação, minimal e intimista ao extremo, deve mais ao folk e até ao country do que a qualquer outra tradição musical européia.
Demonstrando um bom "timing", a gravadora ST2 põe no mercado nacional a totalidade da discografia da bela e cândida "chanteuse". São apenas dois títulos, um cantado em francês (Quelqu'un m'a dit, de 2003) e outro em inglês (No Promises, 2007).
Fáceis de escutar, os discos têm problemas na hora de se fixar na memória do ouvinte. Não se trata de questionar o talento musical de Carla (que por sinal assina todas as músicas de ambos os discos). Mas se ela não pudesse contar com sua inegável beleza ou com a notoriedade do maridão, teria muito mais dificuldade de conseguir projeção na mídia.
O álbum em francês é um cartão de visitas mais adequado para a moça. Sua voz pequena, mas charmosa, soa bem colocada entre os arranjos delicados. O resultado é, indiscutivelmente, 'naïve'. Doce, tão doce que chega a dar dor de dente, como em Le Plus Beau Du Quartier ou Le Ciel Dans Une Chambre (versão da canção italiana Il Cielo In Una Stanza) - na qual sente-se um cheirinho de country music, amplificado pela guitarra de Louis Bertignac. O mesmo músico providencia os solinhos de steel guitar em Tout Le Monde e J'en Connais, esta com um quê de blues.
Em No Promises, Carla arrisca bem mais, colocando música em poemas de autores como W.H. Auden, Dorothy Parker e Emily Dickinson. O resultado é um tiquinho menos equilibrado do que o disco em francês. Um pouco pela própria interpretação da cantora, ainda mais frágil e ofegante do que no álbum anterior. Mas também por conta das ocasionais dificuldades de encaixar melodias em versos que não foram feitos para serem cantados.
As composições do outro disco parecem mais fluidas e naturais. De resto, é aquele agradável pop-folk sussurrado, que às vezes pende para o country (Lady Weeping At The Crossroads), às vezes tangencia o rock (I Felt My Life With Both My Hands), mas nunca chega a surpreender de verdade.
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